A recente visita do Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), Sam Hou Fai, a Portugal, Espanha, Suíça e Bélgica reforçou os intercâmbios e a cooperação de Macau, destacando o seu papel como ponte entre os mercados chineses e internacionais, segundo especialistas nacionais e estrangeiros. Sam Hou Fai, que liderou uma delegação da RAEM, partiu de Macau a 17 de abril e concluiu a visita no domingo.
Em Lisboa, o Chefe do Executivo reuniu-se com o Presidente de Portugal, António José Seguro, e com outros responsáveis dos poderes executivo, legislativo e judicial. Sam Hou Fai apresentou à parte portuguesa a implementação bem-sucedida do princípio “um país, dois sistemas” em Macau.
A presidente do Centro Científico e Cultural de Macau em Lisboa, Carmen Amado Mendes, afirmou que Macau ocupa uma posição distinta nas relações entre a China e Portugal, por ser “um local onde China e Portugal se conhecem bem historicamente”, tornando-se “uma plataforma especialmente útil para intercâmbios políticos, económicos, académicos e culturais”.
O secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, Bernardo Mendia, afirmou que as vantagens de Macau no âmbito do princípio “um país, dois sistemas” proporcionam um ambiente de negócios familiar para empresas de Países de Língua Portuguesa que pretendem aceder ao mercado chinês.
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O professor associado da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Macau, Francisco José Leandro, afirmou que, ao mobilizar recursos históricos, linguísticos e institucionais, Macau se posiciona como um elo funcional entre a China, a União Europeia, países de língua portuguesa e espanhola e o sistema de comércio multilateral.
Em declarações à imprensa, o Chefe do Executivo destacou a assinatura de 61 acordos em Portugal pelo Governo da RAEM e por delegações empresariais, abrangendo áreas como comércio, tecnologia, turismo e educação. Em Espanha, foram assinados 48 acordos nas áreas de alta tecnologia, expansão internacional de marcas de exposições e eventos desportivos.
O presidente da Associação Económica de Macau, Lao Chi Ngai, afirmou que a inclusão de Espanha no itinerário representa um passo importante na expansão do papel de Macau, de ponte com países de língua portuguesa para uma plataforma mais abrangente que inclui também regiões de língua espanhola.
Bernardo Mendia referiu que a visita a Espanha demonstra a intenção de Macau de alargar a cooperação a mercados de língua espanhola, criando oportunidades para transformar o potencial da região em resultados económicos concretos.
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O presidente da delegação de Macau da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, Carlos Cid Álvares, afirmou que Macau pode funcionar como uma “plataforma bilingue” que liga mercados de língua portuguesa e espanhola, oferecendo apoio jurídico, linguístico e institucional.
A delegação empresarial, composta por empresários de Macau, da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, e por representantes de empresas do Interior da China, realizou uma visita de intercâmbio empresarial de seis dias a Portugal e Espanha, segundo o Governo da RAEM.
Carlos Cid Álvares afirmou que a visita dos representantes oficiais e empresariais deverá centrar-se na aceleração baseada em plataformas. A sinergia “Macau + Hengqin” envolve um fluxo bidirecional, apoiando empresas chinesas na expansão internacional, especialmente para mercados de língua portuguesa e espanhola, e atraindo investimento estrangeiro para o Interior da China.
Segundo Carmen Amado Mendes, Macau já desempenha um papel relevante em feiras comerciais, missões empresariais e circulação de informação comercial, podendo reforçar a sua atuação nos serviços financeiros, inovação e cooperação com a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau.
Francisco José Leandro afirmou que o desenvolvimento de Macau deve ser analisado no contexto da Grande Baía e da abertura económica da China, com a região a assumir um papel crescente na facilitação do comércio, nos serviços profissionais e na conectividade internacional.