Mensagem do Primeiro-ministro Li Keqiang na visita à Austrália

por Arsenio Reis

Depois de terminadas as duas sessões da Assembleia Popular Nacional e Conferência Consultiva Política do Povo Chinês em Pequim, o primeiro-ministro do Conselho de Estado Li Keqiang deslocou-se à Austrália e à Nova Zelândia em visita oficial, dando seguimento à posição de apoio ao comércio livre e de oposição ao protecionismo comercial que manifestou na conferência de imprensa final das reuniões políticas.

A Austrália sempre teve boas relações com o Ocidente, e as suas relações com os Estados Unidos em particular sempre foram bastante próximas, ultrapassando muitas vezes as que são mantidas com o Reino Unido. Contudo, depois da subida ao poder de Trump, surgiram algumas divergências a respeito da questão dos refugiados (quando o primeiro-ministro Malcolm Turnbull e Donald Trump discutiram este assunto, uma das partes interrompeu abruptamente o telefonema). Para além disso, em relação ao comércio livre e ao protecionismo comercial também existem algumas diferenças de opinião, estando a Austrália numa posição complicada sem saber para que lado se virar.

A visita e o discurso no parlamento por Li Keqiang transmitiram uma forte mensagem que terá uma influência profunda na paz da região da Austrália e Oceânia, região que se encontra atualmente numa encruzilhada.

Durante a cerimónia de boas-vindas, Turnbull referiu que a China é o maior parceiro comercial da Austrália, e manifestou a esperança de os dois países expandirem a liberalização das relações bilaterais no campo dos serviços e do investimento. No seu discurso, Li Keqiang indicou que o comércio bilateral sino-australiano se verifica para a China um défice comercial de mais de 50 mil milhões de dólares americanos. Porém, o país não resolveu o problema através do protecionismo, e em vez disso manteve as portas abertas. Li Keqiang referiu que para resolver o problema do desequilíbrio comercial é necessário expandir o comércio e não fechar as portas. Segundo o primeiro-ministro, a China irá continuar a alargar a sua abertura ao exterior, procedendo através de ações concretas à liberalização e facilitação do comércio e investimento, salvaguardando os sinais positivos do atual sistema comercial global. Relativamente ao excedente comercial de 50 mil milhões de dólares da Austrália, Li Keqiang não exigiu ao país uma forma de alterar a situação e reduzir o excedente, pedindo em vez disso o prosseguimento da expansão do comércio sino-australiano, oferecendo aos cidadãos nacionais (cidadãos chineses) mais e melhores opções. Esta é a principal promessa do futuro desenvolvimento do comércio internacional e de globalização.

Relativamente à segurança da região, a Austrália situa-se extremamente perto do Mar do Sul da China, e embora não seja um dos países envolvidos nas disputas territoriais, o ângulo sul da barreira em forma de diamante traçada pelos Estados Unidos e Japão para conter a China situa-se na Austrália. Sejam eles os submarinos e navios militares ou as bases navais e aeronaves de combate da Austrália, todos são uma parte constituinte da barreira em forma de diamante.

No diálogo entre Li Keqiang e Malcolm Turnbull foi levantado o tema da crescente tendência antiglobalização, e a posição da China foi extremamente clara, sendo que o país está disposto a salvaguardar a paz e estabilidade na região Ásia-Pacífico, e por isso a Austrália também deve desempenhar um papel nesta matéria. A China continuará a sua abertura, fazendo esforços para promover as relações económicas e comerciais sino-australianas, para salvaguardar o sistema de comércio livre, tomando também uma posição ativa na questão do Mar do Sul da China. Li Keqiang manifestou a esperança de que a Austrália apoie a resolução de divergências entre a China e os países da ASEAN, acrescentando que espera que a Austrália se torne num elemento auxiliador e não obstrutor. Turnbull afirmou que a Austrália está disposta a aprofundar as relações bilaterais com a China e a preservar a estabilidade e consistência destas. Turnbull afirmou também que a Austrália não possui disputas no Mar do Sul da China e por isso não tomará partidos nessa questão. Li Keqiang revelou mais uma vez a Turnbull que relativamente ao código de conduta do Mar do Sul da China o país já deu passos firmes no sentido de uma resolução de divergências com os países abrangidos naquelas águas, e Turnbull manifestou também o desejo de ver concretizado um código de conduta naquela região.

No que diz respeito às relações sino-australianas, e relativamente à constante preocupação da Austrália de que a rápida ascensão e crescimento da China iria colocá-la num caminho hegemónico, Li Keqiang acalmou as apreensões do país. O primeiro-ministro chinês afirmou que atualmente vivemos num mundo multifacetado e simbiótico e que a sua visita teve como base o respeito mútuo. Como tal, a China continuará a respeitar as opções de política externa da Austrália, não querendo enveredar por uma mentalidade de guerra fria e de tomada de partidos, sendo que o país não quis de forma alguma exigir à Austrália a escolha entre o lado da China e dos Estados Unidos.

Esta visita de Li Keqiang à Austrália, para além de ter concretizado a assinatura de muitos acordos para projetos de cooperação, incluindo de comércio livre, também transmitiu à comunidade internacional a importante mensagem de que a China, na sua posição de contínuo investimento aberto, comércio aberto e desenvolvimento bilateral conjunto, está a criar um círculo de vencedores, um círculo onde todos saem a ganhar. 

DAVID Chan 

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