Tango em vez de guerra comercial

por Arsenio Reis

O intenso smog que cobre as cidades chinesas e os problemas de trânsito que afligem as cidades norte-americanas fazem-nos lembrar o quanto os dois países podem aprender ou ajudar-se mutuamente no que diz respeito a enfrentar este tipo de questões, em vez de se envolverem numa guerra comercial que a futura administração dos Estados Unidos insinuou que irá iniciar.

Pequim está mais uma vez sob um alerta extremamente elevado, pouco depois de um alerta vermelho, o mais grave alerta de smog no sistema de quatro níveis, ter sido anunciado a 16 de dezembro.

Entre as celebrações e festejos do ano novo, a poluição tóxica que encobriu a capital chinesa tornou-se no assunto mais discutido nas redes sociais domésticas. A ansiedade dos residentes atingiu níveis nunca antes vistos. São comparadas notas sobre quais máscaras são mais eficazes e a maioria tem manifestado dessatisfação com os esforços dedicados para enfrentar o smog nos últimos anos, os quais têm feito poucos progressos.

“Terror do smog”, “inverno nuclear” e “câmara de gás” são apenas algumas das palavras usadas para a descrever a horrenda poluição atmosférica.

É verdade que a poluição atmosférica do smog talvez não venha a desaparecer nos próximos anos, mas seria tranquilizador para as pessoas saber que a sua severidade irá um dia ser reduzida e não agravada. Embora as autoridades de Pequim tenham relatado que o ano passado teve mais dias de boa qualidade atmosférica do que o ano anterior, a impressão geral entre o público não é a de que a situação está a melhorar.

Los Angeles, por exemplo, sofria de grave poluição atmosférica há 20 anos atrás. Contudo, um estudo da Universidade do Sul da Califórnia publicado há um ano demonstrou que a poluição atmosférica diminuiu significativamente ao longo das últimas duas décadas. Como resultado, os residentes são mais saudáveis, particularmente no que diz respeito à atividade e crescimento pulmonares entre as crianças.

Regulamentações mais rígidas e uma aplicação firme são vistas como um enorme contributo para esta evolução positiva. O estado da Califórnia, onde Los Angeles está localizado, é agora o líder na tecnologia e padrões ambientais.

É isso o que a China e as suas cidades e províncias devem ambicionar no combate à poluição atmosférica. E será mutuamente benéfico se os dois países reforçarem a cooperação neste aspeto.

Enquanto os chineses que visitam os Estados Unidos frequentemente ficam maravilhados com o céu limpo norte-americano, muitos americanos que visitam a China elogiam os comboios de alta velocidade e os metros funcionais.

O acidente ferroviário em Brooklyn, Nova Iorque, o qual feriu mais de 100 passageiros, aconteceu três meses após um acidente de comboio em Hoboken, Nova Jérsia, que matou uma pessoa e destruiu parte do histórico terminal ferroviário.

Uma das minhas colegas jornalistas em Washington descreveu a sua recente viagem no lento e oscilante comboio nº 7 de Flushing, Queens, até Times Square como uma tortura. Questionando a razão pela qual os nova-iorquinos não reclamam sobre isto, um jornalista norte-americano, de Nova Iorque, respondeu: “Talvez as pessoas estejam habituadas.”

O mesmo problema existe no sistema metropolitano de Washington DC, que está finalmente a receber enormes reparações após ter ignorado décadas de avisos. Grandes atrasos causados por reparações programadas ou imprevistas são comuns na capital norte-americana.

A China fez um ótimo trabalho na construção dos seus sistemas metropolitanos. Tanto Xangai como Pequim construíram numa década sistemas de metro cujo comprimento total é maior do que o de Nova Iorque, enquanto o metro de Second Avenue em Nova Iorque demorou literalmente um século até ser completado e aberto ao trânsito a 1 de janeiro.

Chen Weihua

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