Assegurar ganhos e reforçar laços

por Arsenio Reis

O primeiro-ministro Li Keqiang embarcou numa visita de oito dias à Ásia Central e à Europa, durante a qual irá visitar o Quirguistão, Cazaquistão, Letónia e Rússia.

A participação de Li no 5º Encontro de Chefes de Estado da China e de países da Europa Central e de Leste em Riga, na Letónia, deverá dar um novo impulso ao mecanismo de cooperação “16+1” e à Iniciativa Faixa e Rota (a Faixa Económica da Rota da Seda e a Rota da Seda Marítima do Século XXI).

O mecanismo 16+1 proposto por Pequim é um programa de intercâmbio envolvendo 1000 pessoas da China e de 16 países da Europa Central e de Leste para promover as comunicações interpessoais.

Desde o primeiro encontro 16+1 em Varsóvia em 2012, o mecanismo multinacional tornou-se num exemplo da cooperação China-Europa e tem tido um efeito positivo na cooperação regional. É também esperado que exista sinergia com os projetos da Faixa e Rota, promovendo o comércio e as trocas de investimento.

A ferrovia Hungria-Sérvia, que deverá estar concluída até ao final de 2017, irá estender-se até ao importante porto grego de Pireu e poderá tornar-se num pivô europeu ligando a Faixa Económica da Rota da Seda e a Rota da Seda Marítima do Século XXI.

A cooperação de capacidade eficiente entre a China e a Sérvia nos últimos anos é outro exemplo. Desde que foi criada a parceria estratégica com a China em 2009, o estado balcânico tem acolhido um número cada vez maior de projetos infraestruturais financiados pela China, incluindo a Ponte Pupin sobre o Rio Danúbio em Belgrado e a central energética de Kostolac, o primeiro projeto chinês de energia elétrica na Europa.

No comércio e no investimento, o comércio eletrónico transfronteiriço possui um grande potencial de levar a cooperação 16+1 a um novo patamar. A colaboração entre cidades também já começou a surtir frutos. Chengdu, na província de Sichuan no sudoeste da China, é agora cidade irmã de Lodz, na Polónia, e local de um consulado geral da Polónia.

A Agenda Estratégica de Cooperação China-UE 2020, adotada na cimeira China-UE de 2013, apoiou o mecanismo 16+1 e elevou o seu estatuto como nova plataforma para a integração europeia, o que deverá silenciar aqueles que acusam Pequim de usar uma estratégia de “dividir para reinar” em relação à Europa.

Novas plataformas de financiamento, como o banco de investimento entre a China e a Europa Central e de Leste que está atualmente em consideração, irão promover a integração financeira, não só entre as duas partes mas também dentro da Europa. Na verdade, a União Europeia tem vindo a aperceber-se da importância do mecanismo 16+1 como suplemento da relação China-Europa. Isso explica o porquê de a UE ser agora observadora do Encontro de Chefes de Estado da China e de Países da Europa Central e de Leste.

Os países da Europa Central e de Leste estão relativamente ansiosos pelo apoio tecnológico e financeiro de Pequim, em comparação com os outros membros da UE, criando uma rara oportunidade para a cooperação China-Europa. Por isso, no âmbito do mecanismo 16+1, a China possui todas as razões para aprofundar a sua parceria com a Europa e acelerar a expansão da Faixa e Rota.  

Wang Yiwei

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