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Reino Unido deixa a UE e Índia e Paquistão juntam-se à OCX

Na última semana (24 de junho) o governo do Reino Unido abandonou a tão eficaz e estimada “democracia representativa” a favor de uma “democracia direta”, realizando um referendo nacional sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. Os resultados do referendo deram a vitória à saída, contudo, causaram também imediatamente uma desvalorização da libra esterlina, um declínio do mercado de ações e um aumento do preço do ouro. Muitos britânicos começam já a arrepender-se. Para além da Escócia e da Irlanda do Norte, que estão a levantar mais uma vez a questão da independência de forma a poderem regressar à UE, mais de 3,5 milhões de cidadãos do Reino Unido assinaram uma petição pedindo um novo referendo. Subitamente, os britânicos veem-se num estado de desordem, sem saberem o que fazer, enquanto a União Europeia teme que esta decisão possa causar um efeito de dominó, levando alguns países há muito insatisfeitos com a UE (como a Espanha ou a Holanda) a seguirem o mesmo caminho e a desagregarem-se da união. Consequentemente, já foi realizada uma reunião de emergência para avaliar possíveis contramedidas. Nestes últimos dias, o caos do Brexit tem estado ainda em ebulição, sendo difícil no atual momento prever qual será a situação no futuro. Contudo, a União Europeia parece já ter tomado uma decisão final, e está a exortar o Reino Unido a dar início ao processo de desagregação o mais cedo possível. As restantes questões, como a possibilidade de um segundo referendo ou a forma de impedir a independência da Escócia e da Irlanda do Norte, estão nas mãos do Reino Unido.

No dia 24 de junho, o Reino Unido votou para sair da UE. Porém, no mesmo dia, os longínquos países asiáticos da Índia e Paquistão assinaram em Tashkent, no Uzbequistão, um memorando para se juntarem oficialmente à Organização de Cooperação de Xangai (OCX).

Com a adesão da Índia e do Paquistão, a OCX passa de seis países para oito, representando 45 por cento da população mundial e um terço da produção global de 2015. A entrada destes dois países na OCX e a saída do Reino Unido da UE parece difícil de equiparar, contudo, olhando de perto, uma das causas comuns é o futuro desenvolvimento dos respetivos países. Nos anos recentes, a economia do Reino Unido não tem estado famosa, e juntando-se a fraca recuperação económica mundial, esta desaceleração do crescimento económico dos países da UE desde logo foi razão para queixas no Reino Unido. Juntando-se ainda a questão da imigração e o recente problema dos refugiados e eis que surge um referendo. Porém as circunstâncias atuais da Índia e do Paquistão não são de forma alguma idênticas. A situação económica dessa região asiática nos últimos anos não tem sido má, o potencial de crescimento é reforçado na OCX e a cooperação económica com os países observadores, parceiros de diálogo e países próximos já começa gradualmente a dar frutos. Para além disso, a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” da China está agora voltada para a Ásia Central, e quanto ao futuro crescimento o céu é o limite. A Índia e o Paquistão, após mais de dez anos como países observadores da OCX, decidiram tornar-se membros, acreditando que se deixassem passar esta oportunidade se iriam arrepender. Por outro lado, a OCX acredita que a adesão simultânea da Índia e do Paquistão irá expandir o potencial da organização, promovendo o seu papel de organismo multilateral na resolução dos grandes problemas atuais da região, assim como na salvaguarda da estabilidade, segurança e desenvolvimento sustentável no cenário mundial.

Quanto ao Reino Unido, a opinião da UE não é a mais favorável. Em muitos assuntos, a posição do Reino Unido não esteve alinhada com a da União Europeia, devido a razões históricas do país e à sua relação especial com os Estados Unidos. Por exemplo, o Reino Unido não quis juntar-se à Zona Euro, preferindo continuar a usar a sua libra para preservar o seu estatuto financeiro. Para além disso, ao contrário dos outros membros da UE, o Reino Unido não quis assinar o Acordo de Schengen, restringindo a entrada no país de cidadãos europeus de outros países. Estes e outros casos fizeram do Reino Unido um “parceiro incómodo” para a União Europeia. Por isso, para a UE, a saída do Reino Unido através do referendo talvez não seja uma má notícia.

David Chan

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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