O que Macau tem para oferecer ao mundo - Plataforma Media

O que Macau tem para oferecer ao mundo

Intervenientes locais de variados ramos viajam até Portugal para falar sobre Macau e o que a região tem para oferecer no admirável mundo da cooperação económica entre a China e os países de língua portuguesa, mas não só. Numa conferência que terá lugar em Cascais, e que junta mais de 300 convidados ligados ao mundo empresarial e decisores no plano político de vários países espalhados pelo globo, da banca à área jurídica, para além das oportunidades na China, também será explicado o papel de Macau, essencialmente, como facilitador de serviços para esses negócios.

Usada vezes sem conta, até para nome deste jornal, a palavra plataforma associada a Macau tem o condão de tornar difícil perceber o que realmente significa, apesar das inúmeras aparições que conhece nos discursos dos mais variados intervenientes da RAEM, da República Popular da China e dos países de língua portuguesa. A ideia vai estar em cima da mesa nos dias 22 e 23 de Outubro numa conferência da Horasis, que decorrerá em Cascais, em Portugal. Frank-Jürgen Richter, presidente da “Horasis: The Global Visions Community”, uma organização internacional independente, realça o objetivo de “permitir que o ocidente e o oriente comuniquem e mudem a sua forma de pensar”.

Esta não é a primeira conferência da Horasis sobre a China, mas este ano, um dos painéis de discussão será dedicado a explicar qual o papel de Macau enquanto facilitador de negócios e oportunidades, muito pelo conjunto de serviços que proporciona e também pelas características diferenciadoras que têm colocado a RAEM como centro privilegiado para a cooperação entre a China e os países falantes de português.

O jornal Plataforma é parceiro média do evento e o director, Paulo Rego vai moderar um painel que integra vários intervenientes de Macau, entre os quais, Joseph Lo, presidente da SIM, uma empresa que desenvolve projetos e-learning e tem-se focado cada vez mais no ensino da língua portuguesa, mas também Pedro Cortés, advogado, Pedro Cardoso, presidente da comissão executiva do Banco Nacional Ultramarino em Macau, Sou Chio Fai, director do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior da RAEM, Afonso Camões, director do diário português Jornal de Notícias, e Ray Ng, diretor geral da Associação Industrial e Comercial de Macau, organização que é também um dos patrocinadores do evento. Gabriela César, delegada de Macau em Lisboa, não participa neste painel, mas será keynote na conferencia, em representação do secretário para a economia e Finanças, Lionel Leong.

Na opinião de Paulo Rêgo, “diversificação económica também é criar uma plataforma de serviços trilingue – chinês, português e inglês”, destacando ainda a posição da região no Delta do Rio das Pérolas. “Macau pode servir de plataforma para os países que queiram ter acesso ao Delta”.

A panóplia de serviços que a RAEM oferece, em cada uma dessas áreas, pode ser vista sob o prisma da “complementaridade”, de forma a ajudar Macau a afirmar-se. “Desse modo, cada vez mais, Macau será vista, aos olhos da China e dos outros países, como sociedade inteligente e qualificada”, conclui Paulo Rego. O director do jornal plataforma e co-organizador da conferência em Cascais, acredita que a presença da região nestes fóruns “empresta uma marca a Macau e a ideia pode vingar e serem mais as oportunidades de negócios”.

Em conversa com o Plataforma, um dos oradores, Joseph Lo, acredita que “muita gente conhece a China, mas não sabe como entrar no mercado”, garantindo que Macau “está muito bem posicionado” para ser essa porta de entrada. “O IPIM tem promovido Macau no mundo e eventos como a Feira Internacional de Macau são muito importantes para promover o que pode ser oferecido aqui”.

No entanto, não esquece as pequenas, médias e micro empresas, como a SIM, à qual preside, que “não têm as vantagens que os grandes negócios oferecem. Por vezes, com apenas 20 ou 30 trabalhadores, não têm recursos sequer para procurarem essas oportunidades”. É por isso que destaca a inevitabilidade de caminhar para a diversificação da economia local. “Macau tem que encontrar esses caminhos para não se perder no mundo do jogo”, o sector que mais peso tem na economia local e que faz gravitar sobre si tantos outros ramos da indústria de serviços.

O empresário lembra ainda a “característica indiscutível” que Macau tem ao nível da cultura, e que coloca a região na linha da frente desse ponto de encontro entre o Ocidente e o Oriente. “Macau tem sido muito importante para proteger as culturas chinesa e portuguesa que muitas pessoas querem ver e conhecer”, sublinhando ainda “o bom trabalho que tem sido feito para proteger esse património”.

Também o director do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior da RAEM destaca a cultura “única e híbrida” de Macau, devido às influências ocidentais. Sou Chio Fai acredita que a localização geográfica da região também lhe permite ser um importante pólo com ligação a vários países. “Macau, há muito tempo que tem desempenhado um papel como facilitador do comércio entre o oriente e o ocidente. A localização na antiga Rota da Seda também confere a Macau a participação na iniciativa ‘One belt, one road’”, destaca.

Sou Chio Fai vai falar sobre a vertente de educação, em especial, do bilinguismo no território, pela ligação que subsiste ao mundo lusófono. “Em termos de características humanas, as pessoas de Macau pautam-se pela harmonia e tolerância e isso permite uma coexistência pacífica com muitas das diferentes comunidades e culturas”.

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A Ilha das oportunidades

O advogado Pedro Cortés, sócio do escritório Rato, Ling, Lei & Cortés, é um dos oradores da conferência e vai explorar o papel da região como plataforma na área jurídica. Por exemplo, através de centros de arbitragem e resolução de conflitos para os negócios que se fazem no âmbito esta cooperação, ou “como fazer de Macau um centro de negócios”. E deixa o repto: “Por que não termos Macau como domícilio das sociedades holdings de muitos dos interesses que estão nos países de língua oficial portuguesa?”.

Outro dos trunfos na manga de Macau é o regime fiscal “muito favorável, que é quase um regime off-shore”, com as baixas taxas que aplica aos rendimentos das empresas e particulares. “Estamos a falar de uma cidade que, em termos de prestação de serviços tem tudo para singrar, mas isso depedende de uma visão para Macau assente na diversificação da economia”, defende.

Pedro Cortés fala ainda da Ilha da Montanha como um pequeno espelho do que será essa lógica de cooperação no futuro. “Já fizemos um pedido para abrir um escritório na Ilha da Montanha, uma joint-venture com um escritório de Hong Kong e um da República Popular da China, precisamente para a integração das duas regiões no Continente também ao nível jurídico”.

O advogado explica que a lei a aplicar será a do Continente, mas “em termos de registos, vamos ter sistemas de Macau e de Hong Kong. Ou seja, estamos na República Popular da China, mas fizeram com que o edifício jurídico seja assim; o que é muito interessante”.

Para Pedro Cortés, o exemplo serve para demontrar que aqui ao lado, no Continente, se pensa a longo prazo. “Nós somos muitos ‘imediatistas”. No Continente pensas as coisas de outra forma e, para mim, essa é uma forma de pensar já em 2049 e no que vai acontecer a partir daí”.

Alavancar mais experiência

Outro dos oradores, o presidente da comissão executiva do Banco Nacional Ultramarino (BNU) em Macau, vai apresentar a ideia de plataforma na vertente financeira para efeitos de cooperação económica.

Pedro Cardoso, disse ao Plataforma que um dos pontos fortes é o facto de Macau já ter um sector financeiro “com alguma dimensão, três vezes superior ao Produto Interno Bruto”. “É um sector que tem um peso muito significativo em operações internacionais e experiência comprovada em termos de internacionalização”.

O responsável do BNU acredita que “essa experiência pode ser ainda mais alavancada”, e pretende transmitir a experiência do banco na área. “É um grupo bancário que está em sete países, e tem uma posição de liderança em cinco”. A expansão do banco para zonas adjacentes na China, no futuro, também demonstra a capacidade de Macau para a cooperação económica.

Pedro Cardoso também evoca a vertente fiscal como um bom trunfo de Macau, realçando o facto de aqui não existir retenção na fonte, como existe na maioria dos países. “Os rendimentos às empresa e particulares têm uma taxa baixa”, e o regime off-shore, apesar de “não ser um regime puro”, reconhece que “é um dos facores atractivos de Macau”. Aliás, lembra que “há empresas que criaram companhias em Macau para efeitos de refacturação, precisamente por esses factores mais atrativos”.

Sandra Lobo Pimentel

16 de outubro 2015

 

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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