Esses depósitos a prazo na banca moçambicana tinham atingido em junho de 2024 um total de 264.709 milhões de meticais (3.536 milhões de euros), crescendo progressivamente, todos os meses, até ao recorde de 305.871 milhões de meticais (4.085 milhões de euros) em julho último, conforme dados estatísticos do banco central moçambicano.
Em janeiro, esses depósitos aproximaram-se dos máximos anteriores, ao atingirem 304.675 milhões de meticais (4.070 milhões de euros), indica ainda o relatório.
Já os depósitos à ordem continuam a crescer, mais 0.5% num mês, para 484.435 milhões de meticais (6.349 milhões de euros) em fevereiro, segundo os mesmos dados.
Em Moçambique, funcionam 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras.
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Entretanto, a taxa de juro de referência em Moçambique, que também influencia as poupanças, desceu 10 pontos base no mês de abril, para 15.5%, o terceiro corte este ano, anunciou anteriormente a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
Desde janeiro de 2024, a taxa, conhecida como ‘prime rate’, tem vindo progressivamente a descer, após seis meses consecutivos em máximos de 24.1%. Este ano, em janeiro, a AMB decidiu cortar igualmente 10 pontos base à taxa, para 15.7% e em fevereiro manteve-a inalterada, apesar do corte na taxa diretora decidida pelo banco central. Seguiram-se cortes idênticos, de 10 pontos base, em março e agora em abril.
As oscilações da ‘prime rate’ estão associadas à taxa de juro de política monetária (taxa MIMO, que influencia a fórmula de cálculo da ‘prime rate’) pelo banco central, para controlar a inflação.
Já o Banco de Moçambique manteve a taxa de juro de política monetária MIMO em 9.25%, após 12 cortes consecutivos desde janeiro de 2024, face ao “agravamento substancial” de riscos, revendo em alta as perspetivas de inflação.
“Esta decisão decorre da materialização e do agravamento substancial de alguns riscos e incertezas associados às projeções da inflação, com destaque para a inclusão do conflito no Médio Oriente e os seus impactos na cadeia logística, bem como na oferta e nos preços dos produtos energéticos e alimentares, que influenciaram a revisão em alta das perspetivas da inflação”, anunciou em 23 de março o governador do banco central, Rogério Zandamela.
A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), que se realiza a cada dois meses, conforme avançou o governador do Banco de Moçambique, sublinhando as consequências para Moçambique do conflito do Médio Oriente, bem como das cheias no país, na atual época das chuvas.