A Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa alertou na última semana para a subida de infeções do vírus do Nilo Ocidental em vários países, destacando a Grécia, onde foram confirmados 21 casos humanos, 20 dos quais com formas neurológicas graves, como meningite e encefalite. Itália regista igualmente 21 casos distribuídos por 17 áreas diferentes, enquanto Espanha, Roménia e Macedónia do Norte também notificaram infeções autóctones.
O vírus é transmitido através da picada de mosquitos do género Culex, que se infetam ao picarem aves portadoras do vírus. Os seres humanos são considerados hospedeiros acidentais e não transmitem a doença a outras pessoas no contacto quotidiano. Cerca de 80% dos infetados não desenvolvem sintomas, mas aproximadamente uma em cada 150 infeções pode evoluir para uma doença neurológica grave, potencialmente fatal.
Segundo a OMS, o aumento das temperaturas e o prolongamento dos períodos de calor estão a criar condições ideais para a expansão dos mosquitos e para o alargamento da época de transmissão em grande parte da Europa. A organização recomenda o reforço da vigilância entomológica e aconselha a população a utilizar repelentes, roupa comprida e a eliminar águas paradas junto das habitações.
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Embora Portugal não tenha registado surtos recentes em humanos, o país já identificou anteriormente circulação do vírus e casos suspeitos, sobretudo no sul. A Direção-Geral da Saúde mantém recomendações de vigilância e prevenção, especialmente durante os meses de verão, quando a atividade dos mosquitos é mais intensa.
Os especialistas sublinham que a possibilidade de o vírus voltar a circular em território português não deve ser encarada como um cenário remoto. Com a expansão da doença no sul da Europa e as alterações climáticas a favorecerem os vetores, defendem que o reforço da monitorização e das medidas de prevenção será determinante para limitar o risco de transmissão.