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Hantavírus transmissível entre humanos em cruzeiro: estirpe dos Andes confirmada em oito casos

A Organização Mundial da Saúde confirmou que os oito casos laboratoriais associados ao surto de hantavírus registado no navio de cruzeiro MV Hondius pertencem à estirpe dos Andes, uma variante particularmente preocupante por ser transmissível entre humanos.

Num boletim informativo divulgado na noite de quarta-feira, a OMS indica que, até 13 de maio, foram identificados 11 casos no total, incluindo três mortes. Destes, oito foram confirmados em laboratório como infeção pelo vírus dos Andes (ANDV), dois são considerados prováveis e um permanece inconclusivo, estando ainda sujeito a análises adicionais.

Entre os oito casos confirmados, registaram-se dois óbitos. A taxa de letalidade associada a este surto situa-se, nesta fase, nos 27%, segundo a organização internacional. O hantavírus pode provocar uma síndrome respiratória aguda grave e não existe, atualmente, vacina nem tratamento específico.

Todos os casos confirmados estiveram a bordo do navio. O caso inconclusivo refere-se a um passageiro nos Estados Unidos, atualmente assintomático, que apresentou resultados contraditórios em testes realizados em dois laboratórios distintos. O doente encontra-se hospitalizado no estado do Nebraska, a aguardar nova testagem.

Apesar da gravidade da estirpe envolvida, a OMS avalia o risco como “moderado” para os passageiros e tripulantes do MV Hondius e “baixo” para a população em geral a nível mundial.

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A origem exata do surto continua por determinar. De acordo com a OMS, a infeção inicial terá ocorrido antes do início da expedição, a 1 de abril, uma vez que o primeiro passageiro a falecer — um cidadão neerlandês de 70 anos — começou a manifestar sintomas a 6 de abril. O período de incubação do vírus varia entre uma e seis semanas.

Estão em curso investigações para apurar as circunstâncias da exposição e a fonte do surto, em articulação com as autoridades da Argentina e do Chile. Investigadores do Instituto Malbrán, em Buenos Aires, deverão deslocar-se a Ushuaia, na Terra do Fogo, para capturar e analisar roedores que possam ter funcionado como vetores do vírus.

O primeiro paciente esteve pouco mais de 48 horas em Ushuaia antes de embarcar. As autoridades locais consideram “praticamente nula” a hipótese de infeção na região, sublinhando que o ratón colilargo — principal reservatório do vírus — não existe na província, que nunca registou casos de hantavírus desde que a notificação se tornou obrigatória, em 1996.

O vírus dos Andes é endémico na América do Sul e transmite-se sobretudo através do contacto com roedores infetados, sendo a única estirpe conhecida de hantavírus com capacidade comprovada de transmissão entre humanos.

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