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DGS divulga orientações para gestão de eventuais casos de hantavírus e mantém risco baixo em Portugal

A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou esta segunda-feira orientações técnicas destinadas aos profissionais de saúde para a gestão de eventuais casos suspeitos associados ao surto de hantavírus identificado no navio de cruzeiro MV Hondius. A autoridade de saúde sublinha que não há qualquer alteração na avaliação do risco para o país, que “se mantém muito baixo”, não estando previstas medidas preventivas para a população em geral.

Segundo a DGS, o documento enquadra os procedimentos a adotar “na eventual possibilidade de darem entrada em Portugal indivíduos que tenham sido contactos de casos relacionados com este surto”, reforçando que se trata de uma ação de precaução e planeamento clínico.

De acordo com a orientação, considera-se caso suspeito qualquer pessoa que tenha partilhado ou visitado um meio de transporte onde tenha existido um caso confirmado ou provável de infeção por hantavírus Andes (ANDV), ou que tenha tido contacto com passageiros ou tripulantes do MV Hondius, desde que apresente febre aguda ou histórico recente de febre associada a sintomas como dores musculares, calafrios, cefaleias, queixas gastrointestinais ou sintomas respiratórios.

Um caso provável corresponde à presença destes sinais e sintomas com ligação epidemiológica conhecida a um caso confirmado ou provável, enquanto um caso confirmado exige confirmação laboratorial, nomeadamente por testes de biologia molecular (RT-PCR), serologia ou isolamento do vírus a partir de amostras biológicas.

A DGS define ainda como contacto qualquer pessoa exposta a um caso confirmado ou provável durante o período de transmissibilidade, através de interações que envolvam secreções respiratórias, saliva, sangue ou outros fluidos corporais.

Leia mais: Um mês e meio de viagem, seis casos oficiais e três mortes: a cronologia do surto de hantavírus no navio Hondius

As orientações, alinhadas com recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), preveem a ativação do INEM para assegurar o transporte de casos suspeitos para hospitais de referência. Estes incluem a Unidade Local de Saúde (ULS) São José — Hospital Curry Cabral para adultos e Hospital Dona Estefânia para crianças — e a ULS São João, para doentes de todas as idades.

Até ao momento, a OMS e o ECDC confirmaram sete casos de infeção em pessoas que viajaram no cruzeiro, que partiu do sul da Argentina no início de abril. Três dessas pessoas morreram, estando ainda em investigação outros casos suspeitos ou prováveis.

O hantavírus é geralmente transmitido por roedores infetados. A variante Andes, identificada neste surto, é rara e pode, em situações específicas, ser transmitida de pessoa para pessoa. Os sintomas iniciais são semelhantes aos de uma síndrome gripal, incluindo fadiga, tosse e dores musculares ou de cabeça.

Apesar do número de casos associados ao cruzeiro, a OMS reiterou que o risco de contágio para a população em geral permanece baixo.

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