Criada em 1973, a SWIFT (Sociedade para as Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais) é uma rede utilizada por instituições financeiras para enviar instruções de pagamento e outras mensagens financeiras de forma padronizada. A rede não movimenta dinheiro diretamente nem detém contas bancárias; a sua função é permitir a comunicação segura entre instituições que executam as transferências através dos sistemas financeiros existentes, segundo a própria SWIFT.
A infraestrutura é utilizada por bancos, empresas e instituições financeiras em centenas de países e tornou-se uma componente central do sistema financeiro internacional. A rede liga mais de 11 mil instituições financeiras em mais de 200 países e territórios, permitindo a troca de mensagens relacionadas com pagamentos, títulos e operações cambiais.
O funcionamento tradicional dos pagamentos internacionais através da SWIFT depende frequentemente de uma cadeia de bancos correspondentes. Quando duas instituições financeiras não têm uma relação direta, a operação pode passar por vários intermediários antes de chegar ao destinatário final.
Os pagamentos transfronteiriços tradicionais enfrentam desafios relacionados com custos, velocidade, transparência e complexidade operacional, segundo o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS).
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O mBridge (Multiple CBDC Bridge) segue uma lógica diferente. O projeto foi desenvolvido pelo Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) em conjunto com o Banco Popular da China, a Autoridade Monetária de Hong Kong, o Banco da Tailândia e o Banco Central dos Emirados Árabes Unidos, com a Arábia Saudita a aderir posteriormente como participante.
A iniciativa pretende testar uma plataforma comum para pagamentos internacionais utilizando moedas digitais emitidas por bancos centrais (central bank digital currencies, ou CBDC), segundo o BIS.
Ao contrário da SWIFT, que funciona principalmente como uma rede de comunicação entre instituições financeiras, o mBridge foi concebido como uma plataforma de liquidação. O projeto utiliza tecnologia de registo distribuído (distributed ledger technology, DLT) para permitir transações internacionais entre bancos comerciais através de moedas digitais de bancos centrais, de acordo com o BIS.
O projeto atingiu a fase de Produto Mínimo Viável (Minimum Viable Product, MVP) em 2024. Essa etapa permitiu testar uma plataforma capaz de realizar transações com valor real, embora ainda dependente da preparação regulatória e tecnológica das jurisdições participantes, segundo o BIS.
Uma das principais diferenças entre os dois sistemas está no modelo tecnológico. A SWIFT baseia-se numa infraestrutura global de mensagens padronizadas, enquanto o mBridge procura integrar diretamente diferentes moedas digitais de bancos centrais numa única plataforma. O projeto utiliza uma arquitetura em que os bancos centrais participantes operam como nós de validação dentro do sistema, segundo a Autoridade Monetária de Hong Kong.
Outra diferença está no estatuto atual de cada sistema. A SWIFT é uma infraestrutura operacional utilizada diariamente pelo setor financeiro internacional. O mBridge permanece uma iniciativa em desenvolvimento, destinada a testar modelos alternativos para pagamentos transfronteiriços. O projeto passou a uma nova fase após a saída da instituição do desenvolvimento direto em 2024, com os participantes a continuarem o trabalho de evolução da plataforma, de acordo com o BIS.
A relação entre os dois sistemas também tem sido analisada no contexto das mudanças no sistema financeiro internacional. Alguns países têm procurado desenvolver infraestruturas próprias de pagamentos internacionais, mas a utilização global da SWIFT mantém-se predominante. A rede continua a processar milhões de mensagens financeiras diariamente entre instituições de diferentes países, segundo dados da própria SWIFT.
O mBridge não substitui atualmente a SWIFT nem funciona como uma alternativa operacional global à rede existente. O objetivo do projeto é explorar como plataformas baseadas em moedas digitais de bancos centrais podem melhorar pagamentos internacionais, reduzindo algumas limitações dos sistemas tradicionais, de acordo com o BIS.
A diferença fundamental entre os dois modelos está, assim, na forma como processam as operações: a SWIFT fornece uma linguagem comum para comunicar instruções financeiras entre instituições; o mBridge testa uma infraestrutura onde diferentes bancos centrais podem utilizar moedas digitais interoperáveis para efetuar liquidações transfronteiriças.