Um deputado de Macau sugeriu esta terça-feira (21) que as autoridades locais devem promover o yuan digital nas trocas comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP), com o objetivo de “reforçar a competitividade do setor financeiro”.
“O Governo e o respetivo setor devem promover, em conjunto, a adesão dos bancos centrais dos países de língua portuguesa (PLP) ao sistema ‘mBridge’ (mecanismo multilateral de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs)”, afirmou Ip Sio Kai, deputado à Assembleia Legislativa de Macau e também presidente da Associação de Bancos de Macau (ABM), durante uma intervenção no período antes da ordem do dia no Parlamento da Região Administrativa Especial (RAEM).
Em junho, a Autoridade Monetária de Macau obteve o estatuto de membro oficial do projeto mBridge e concluiu a articulação de sistemas. Na primeira fase, 11 bancos locais foram autorizados a tornar-se instituições participantes, tendo sido oficialmente iniciadas as transações associadas ao MBridge.
Ip acrescentou que as autoridades devem explorar a aplicação alargada do “yuan digital” (e-CNY) e da “pataca digital” (e-MOP) nos mercados sino-lusófonos através do referido sistema, apoiando a liquidação eficiente de projetos de comércio sino-lusófono denominados em yuan e de operações transfronteiriças de investimento e financiamento.
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A aposta, segundo o presidente da ABM, permite o “reforço da função central de Macau na cooperação financeira sino-lusófona, aprimorando a capacidade nuclear de Macau na prestação de serviços de regularização das transações em yuan para os Países de Língua Portuguesa”.
O deputado sustentou ainda que a iniciativa se baseia nas “vantagens únicas de Macau” como “plataforma de serviços financeiros entre a China e os PLP”.
Comentando o sistema mBridge, Ip classificou o seu lançamento como um “marco que assinala um passo importante de Macau no desenvolvimento de infraestruturas de pagamentos transfronteiriços baseadas em moeda digital”.
“Estas infraestruturas de pagamento transfronteiriço, centradas na ligação entre bancos centrais, resolvem eficazmente os problemas atuais das tradicionais transferências transfronteiriças, que dependem de redes de bancos correspondentes, demorando habitualmente vários dias úteis, com comissões elevadas e falta de transparência nas vias de movimentação de fundos”, argumentou.
A China é a principal promotora internacional do projeto mBridge enquanto alternativa ao sistema internacional de pagamentos SWIFT (Sociedade para as Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais).
Apoiado pelos bancos centrais da China, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, o mBridge é liderado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) – o banco central dos bancos centrais, na Basileia – e opera com CBDC na liquidação de transações em segundos, em resultado de uma ‘blockchain’ customizada (mBridge Ledger), contornando a dependência de moedas internacionais no sistema de pagamentos e desafiando a infraestrutura financeira dominante, o sistema SWIFT, que exige a liquidação em dólares.
Pequim está a promover a utilização do mBridge na liquidação de contratos de energia, matérias-primas e grandes infraestruturas com parceiros estratégicos do Médio Oriente e da Ásia, através deste corredor financeiro exclusivo, totalmente imune à jurisdição e sistema de sanções ocidental.
O mBridge é ainda visto como uma estratégia para quebrar a dependência dos países aderentes em relação à dívida pública norte-americana, ao atacar o motivo estrutural pelo qual os bancos centrais acumulam dólares, que se prende com a necessidade de liquidez na moeda norte-americana para o comércio global.