A Electricidade de Moçambique (EDM) admite que as manifestações pós-eleitorais impactaram as receitas da empresa em 2025, pela destruição de infraestruturas produtivas, o mesmo acontecendo pelas consequências dos ciclones e outras intempéries na rede elétrica nacional.
No relatório e contas de 2025, consultado hoje (1) pela Lusa, a empresa pública reconhece que o contexto que se seguiu às eleições gerais de outubro de 2024 – nomeadamente mais de cinco meses de violência, com 400 mortos e destruição de património público e privado – teve reflexos diretos na atividade, referindo que “impactou receitas, causou destruição de infraestruturas produtivas, cancelamento de clientes, redução de potências contratadas”.
A EDM acrescenta que as manifestações – que só cessaram após março de 2025 – e os atos de vandalismo tiveram “impacto direto na receita e na atividade industrial”, incluindo “cancelamento” por clientes e “redução” do consumo de média tensão, segmento normalmente associado às empresas e ao setor produtivo.
Estes constrangimentos ocorreram num ano em que as receitas de vendas e prestação de serviços diminuíram para 58.730 milhões de meticais (775,3 milhões de euros), face aos 59.610 milhões de meticais (786,9 milhões de euros) registados em 2024. As vendas de energia recuaram para 52.820 milhões de meticais (697,3 milhões de euros), contra 53.240 milhões de meticais (702,8 milhões de euros) no exercício anterior.
Leia também: Dinheiro a circular em Moçambique cresce em abril
As receitas provenientes de consumidores de alta e média tensão caíram para 7.710 milhões de meticais (101,8 milhões de euros), abaixo dos 8.120 milhões de meticais (107,2 milhões de euros) em 2024, tendência que a empresa associa à retração da atividade económica e industrial.
Paralelamente, a EDM reporta “intervenções de emergência para reposição de sistemas elétricos danificados por ciclones e outras intempéries”, realizadas em diferentes pontos da rede nacional.
A empresa refere igualmente a necessidade de reposição de infraestruturas e equipamentos, destacando a aquisição de materiais destinados à reparação de avarias, restabelecimento do fornecimento de energia e expansão das redes de distribuição.
Segundo o relatório, os fornecimentos e serviços de terceiros foram pressionados por despesas ligadas a intervenções de emergência, transporte de materiais, reforço de atividades de segurança e vigilância e ações associadas à recuperação da rede elétrica.
Além dos efeitos das manifestações e das intempéries, a EDM enfrentou limitações adicionais resultantes do défice hidrológico. A empresa assinala que as exportações de energia diminuíram porque “fatores hidrológicos limitaram geração interna” e reduziram a disponibilidade de eletricidade para venda aos mercados da África Austral.
As exportações de energia totalizaram 13.490 milhões de meticais (178 milhões de euros) em 2025, abaixo dos 15.300 milhões de meticais (202 milhões de euros) registados em 2024, uma queda de 11.8%.
O relatório refere ainda que a receita de vendas e exportações foi “impactada por retração industrial, eventos pós-eleitorais e abrandamento económico”, ao mesmo tempo que a indisponibilidade da Central Térmica de Maputo condicionou parte da produção própria baseada em gás natural.