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Brasil e São Tomé disputam entrada na lista da UNESCO. O que está em jogo nas candidaturas lusófonas

Brasil, São Tomé e Príncipe levam candidaturas à próxima reunião do Comité do Património Mundial da UNESCO. A decisão poderá reforçar o reconhecimento internacional de patrimónios distintos, mas dependerá da avaliação do seu valor universal e estado de conservação

Lusa

Brasil e São Tomé e Príncipe estão entre os Países de Língua Portuguesa que concorrem a sítios do Património Mundial da UNESCO, cujo comité se reunirá para decidir, em Busan, Coreia do Sul, de 20 a 29 de julho.

O Brasil concorre à lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), na categoria Sítios Culturais, com os “Teatros da Amazónia”.

Na mesma categoria, São Tomé e Príncipe concorre com “As roças de São Tomé e Príncipe: Sistema colonial agrícola e migração forçada”.

Segundo a UNESCO, na 48.ª sessão do Comité do Património Mundial será examinada, entre outras questões, a inscrição de 30 novos sítios na lista do Património Mundial, assim como propostas relativas a três sítios já inscritos. Além disso, refere a UNESCO, “será avaliado o estado de conservação de 147 sítios já incluídos nesta lista”.

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Na sua candidatura, o Brasil defende que tanto o Teatro Amazonas, em Manaus, como o Teatro da Paz, em Belém, construídos no final do século XIX, constituem dois dos mais importantes monumentos da Amazónia brasileira. Ambos localizam-se nos dois maiores centros urbanos da região e são apresentados como símbolos do “boom” económico impulsionado pelo ciclo da borracha na América do Sul.

Segundo o dossiê de candidatura, os dois teatros representam um modelo de civilização europeia “reproduzido nos trópicos”, refletindo a prosperidade económica vivida pela região durante o auge da exploração da borracha.

Os responsáveis pela candidatura brasileira referem que, em termos de autenticidade, “os teatros da Amazónia preservam, até aos dias de hoje, as suas características tipológicas e morfológicas referentes ao final do século XIX e início do século XX, mantendo ainda a sua posição de destaque na área urbana em que se encontram”.

Acrescentam que “a profusão de elementos decorativos integrados e sumptuosos contribui para a magnificência de ambos os edifícios, podendo-se perceber o efeito deslumbrante que provocam”.

Por seu turno, São Tomé e Príncipe invoca, na sua candidatura, denominada “As roças de São Tomé e Príncipe: Sistema colonial agrícola e migração forçada”, que o período de implantação das roças no país começou com a introdução da monocultura do cacau e do café no século XIX.

Segundo a candidatura, esse período surgiu como um centro de produção agrícola histórico colonial, “semelhante ao sistema feudal, cujo processo de produção se realizava através do trabalho forçado, onde a mão-de-obra provinha de vários países da costa africana, nomeadamente Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde, Benim, Congo e Serra Leoa”.

Para os responsáveis da candidatura são-tomense, a “roça”, que atingiu o seu auge no final do século XIX e início do século XX, refere-se a um sistema agrário e social de propriedade rural, marcado pela monocultura do cacau e do café.

Em termos de autenticidade, “em Sundy, Monte Café, Agua-lzé, as infraestruturas urbanas, arquitetónicas e sociais têm atributos como hospitais, creches, escolas, igrejas e infraestruturas recreativas que não foram recriadas ou recentemente construídas”.

Na lista das propostas de inscrição que serão analisadas na Coreia do Sul, Portugal concorre na categoria sítio cultural com as “Fortalezas bastiônicas da Raia”.

Também nessa categoria, concorrem, além de São Tomé e Príncipe, mais dois países africanos: a República Democrática do Congo, com o “Parque Nacional de Garamba”, e as Comores, com “As medinas dos Sultanatos históricos das Comores”. Na categoria sítios naturais, o Sudão do Sul candidata-se com a “Paisagem Migratória Boma-Badingilo”.

Até à data, o Comité do Património Mundial inscreveu 1.248 sítios em 170 países na lista do Património Mundial. Segundo a UNESCO, a classificação como Património Mundial permite reconhecer e proteger sítios de valor universal excecional – sejam eles naturais, culturais ou mistos – e “compromete os Estados membros a preservar estes locais emblemáticos”.

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