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Banco dos BRICS emite dívida pela primeira vez em Macau. O que representa para o financiamento de projetos no Brasil

O Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS concluiu a sua primeira emissão de dívida em Macau, no valor de 44 milhões de euros. A operação financia projetos no Brasil e volta a testar a capacidade da região para afirmar-se como plataforma financeira entre a China e os Países de Língua Portuguesa

Lusa - Macau

O banco do bloco BRICS emitiu pela primeira vez dívida em Macau, dinheiro que será para apoiar projetos no Brasil, país membro do bloco que integra também a China, anunciou o regulador financeiro da região.

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) disse que a operação lançada pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) foi formalmente concluída hoje, com o registo junto da central de depósito de valores mobiliários de Macau.

A Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários da cidade, detida pela AMCM, foi inaugurada em dezembro de 2021.

Num comunicado, o regulador sublinhou que a dívida, no valor de 50 milhões de dólares (43,9 milhões de euros), foi “totalmente subscrita” pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa.

Leia também: Residentes de Macau aumentam investimento em títulos de Portugal e Brasil em 2025

Este fundo foi criado há 10 anos pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês), um banco estatal, e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau, com um capital de mil milhões de dólares (875 milhões de euros).

A AMCM disse que os fundos angariados com a emissão de dívida “serão utilizados em projetos no Brasil”, sem revelar mais detalhes.

“Esta emissão de obrigações é uma manifestação concreta da capacidade de Macau para desempenhar o papel de plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa”, defendeu o regulador.

Em novembro, o Governo de Macau anunciou que o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa tinha assinado o primeiro acordo para ajudar uma empresa local, neste caso para expandir para o mercado de Timor-Leste.

Em julho de 2024, o ex-secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, Casimiro de Jesus Pinto, disse em Lisboa que o fundo tinha investido até à data 527 milhões de euros em 11 projetos em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Macau.

A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau.

O organismo integra os membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial.

Em janeiro, o CDB tornou-se o primeiro banco estatal chinês a emitir dívida em Macau, no valor de 5,5 mil milhões de yuan (710 milhões de euros), também para financiar projetos nos países de língua portuguesa.

O NDB – fundado como o grupo BRICS pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – tem sede na capital financeira e económica chinesa, Xangai, e a atual líder é a brasileira, Dilma Rousseff.

O nome da antiga Presidente do Brasil (2011-2016) foi proposto pela Rússia e Rousseff foi reeleita em março de 2025 para um mandato de cinco anos à frente do banco.

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