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Macau estreia-se na Bienal de Curitiba com obras ligadas a Helena Almeida

Macau participa pela primeira vez na Bienal de Arte Contemporânea de Curitiba, no Brasil, com um pavilhão próprio no Museu Oscar Niemeyer. A estreia insere-se na diplomacia cultural da região e no Ano Cultural Brasil-China 2026

Macau está a participar pela primeira vez na Bienal de Arte Contemporânea de Curitiba, um dos maiores eventos na América Latina, levando ao Brasil obras que evocam a portuguesa Helena Almeida, disse hoje (30) à Lusa a curadora. A portuguesa Margarida Saraiva, curadora do Museu de Arte de Macau, disse esperar que a estreia em Curitiba crie um “precedente para futuras colaborações” e “abra portas para o intercâmbio com o Brasil e a América Latina”.

O Instituto Cultural (IC) de Macau montou um pavilhão no espaço principal da bienal, o Museu Oscar Niemeyer, dedicado ao célebre arquiteto brasileiro, que morreu em 2012.

A 16.ª edição da bienal – de regresso ao formato presencial depois da última, em 2021, ter decorrido online devido à pandemia – arrancou em 14 de junho e decorre até 15 de novembro na capital do estado do Paraná, no sul do Brasil.

O pavilhão de Macau é composto por três trabalhos digitais encomendados pelo IC para a primeira retrospetiva na Ásia de Helena Almeida (1934-2018), que reuniu no MAM, entre janeiro e abril, 190 peças da artista portuguesa. A obra “Cinco Língu-Língu”, da artista de Macau Bianca Lei Sio Chong, junta cinco línguas: cantonês (língua dominante em Hong Kong e Macau), mandarim, inglês, português e patuá (crioulo de origem portuguesa de Macau, em vias de extinção).

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Numa altura em que a inteligência artificial normaliza a tradução universal, o trabalho de Bianca Lei “resiste à homogeneização linguística num mundo de inteligência artificial”, sublinhou Margarida Saraiva.

Em outra obra, “Fragmentos do Tempo – Teatro do Rosto”, do chinês Gao Fuyan, o rosto do espetador é capturado, projetado, impresso e triturado, para questionar “o que resta do ser humano na era do reconhecimento facial”.

“WU . Stone . Sardapass”, de Peng Yun, mergulha no “limiar entre o humano e a máquina”, ao mostrar a artista chinesa radicada em Macau a trabalhar, observada por um cão-robô.

Margarida Saraiva sublinhou que a presença de Macau na bienal de Curitiba faz parte das atividades do Ano Cultural Brasil-China 2026, que assinala os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países. A mostra reflete “a política de reforço dos laços com os Países de Língua Portuguesa” e reafirma a “posição única de Macau entre os mundos chinês e lusófono”, defendeu a investigadora.

A presença em Curitiba é “um marco de diplomacia cultural”, sendo a primeira vez que Macau cria um pavilhão num grande evento artístico da América Latina, recordou Saraiva.

A bienal de Curitiba, organizada pela primeira vez em 1993, reúne este ano mais de 300 artistas de 38 países e territórios. O evento, com uma área de exposição de 35 mil metros quadrados, atrai mais de um milhão de visitantes por edição, disse Saraiva.

O público poderá descobrir “uma Macau que não é apenas destino turístico, mas lugar de reflexão profunda sobre o nosso tempo”, disse a curadora.

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