O parlamento de Timor-Leste aprovou por unanimidade um voto de pesar pela morte do ex-Presidente da República Francisco Guterres “Lu Olo”, falecido no domingo (21), destacando o seu papel central na luta pela independência e o legado político que deixou ao país.
Durante uma sessão plenária extraordinária, a presidente do Parlamento Nacional, Fernanda Lay, anunciou que o voto foi aprovado com 63 votos a favor, sem votos contra nem abstenções. No texto, os deputados descrevem “Lu Olo” como um “lutador incansável pela causa da independência nacional”, sublinhando o seu envolvimento na resistência desde 1974 até 2000.
O parlamento recorda ainda que Francisco Guterres integrou o restrito grupo de apenas quatro comandantes que permaneceram ininterruptamente na guerrilha durante os 24 anos de resistência armada contra a ocupação indonésia. O voto de pesar considera-o um dos principais restauradores da independência de Timor-Leste, deixando um legado marcado pela diplomacia, resiliência e amor à pátria.
Também hoje (24), o secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri, recordou o presidente do partido como uma pessoa “honesta, transparente e sem corrupção”, apelando à união dos timorenses.
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Em declarações aos jornalistas na residência de “Lu Olo”, onde decorre o velório desde segunda-feira, Alkatiri afirmou que a população deve transformar a tristeza pela sua morte numa “fonte de força coletiva”. O dirigente defendeu igualmente a necessidade de maior entendimento entre os líderes políticos do país.
“Já o disse anteriormente: tenho a consciência clara de que só conseguiremos concretizar o sonho dos fundadores, dos heróis e dos mártires quando estivermos unidos. Unidos, conseguiremos reduzir a pobreza”, afirmou.
Alkatiri manifestou ainda o desejo de que a geração de líderes de 1974 e 1975 deixe um legado positivo às gerações mais novas, para que estas possam continuar a construir e desenvolver o país.
Francisco Guterres “Lu Olo”, de 71 anos, foi Presidente da República entre 2017 e 2022, tendo também desempenhado as funções de presidente da Assembleia Constituinte e do Parlamento Nacional. Enquanto presidente da Assembleia Constituinte, proclamou oficialmente a restauração da independência de Timor-Leste, a 20 de maio de 2002, e deu posse a Xanana Gusmão como primeiro Presidente da República do país independente.
O velório prolonga-se até quinta-feira. Na sexta-feira, o corpo será transportado para a sede da Fretilin, para o Quartel-General das Forças de Defesa de Timor-Leste e para a Presidência da República, onde serão prestadas homenagens oficiais. Seguir-se-á uma missa fúnebre na Catedral de Díli e o funeral no Jardim dos Heróis, em Metinaro, nos arredores da capital timorense.