Uma rede criminosa abastecia de droga quatro estabelecimentos prisionais da região Centro através de diferentes métodos de dissimulação. Haxixe era transportado no interior do corpo, cocaína escondida em alimentos e droga sintética era introduzida através de papel. A investigação da Polícia Judiciária levou à detenção de 20 pessoas.
A operação, denominada “Tranca Segura”, permitiu à PJ identificar uma estrutura formada por reclusos e pessoas no exterior, com atividade organizada de fornecimento de estupefacientes às cadeias da Guarda, Viseu, Coimbra e Lamego. Todos os suspeitos identificados tinham antecedentes criminais relacionados com tráfico de droga.
Droga escondida no corpo, em alimentos e em papel
Segundo a PJ, a investigação permitiu identificar diferentes formas de introdução de droga nos estabelecimentos prisionais. Em três situações, quatro pessoas foram detidas quando tentavam fazer chegar droga às cadeias.
Num dos casos, pólen de haxixe era transportado no interior do corpo. Noutro, a cocaína encontrava-se dissimulada num rolo de carne. A rede recorria ainda a substâncias sintéticas impregnadas em papel apresentado como mensagens destinadas a reclusos.
O recurso a papel para transportar drogas sintéticas não é uma novidade nas prisões portuguesas. Os guardas prisionais têm alertado para a crescente presença da chamada K4, uma substância que pode ser impregnada em papel e que tem colocado dificuldades acrescidas à fiscalização.
As visitas continuam, de acordo com responsáveis dos serviços prisionais, a constituir um dos principais canais de entrada de drogas nas cadeias.
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Comando funcionava dentro da cadeia da Guarda
A investigação revelou ainda uma particularidade da estrutura criminosa: o comando da operação estava dentro de um estabelecimento prisional.
Segundo a PJ, o principal suspeito é um recluso da cadeia da Guarda que já tinha cumprido uma pena por tráfico de estupefacientes no Peru. A partir da prisão, terá coordenado o fornecimento de droga e enviado para aquele país grande parte do dinheiro obtido com as vendas realizadas dentro das cadeias.
A investigação permitiu identificar uma rede com ligações entre reclusos e elementos que permaneciam em liberdade, assegurando o fornecimento e a distribuição dos estupefacientes.
Vinte detidos e dezenas de buscas
A operação levou ao cumprimento de 23 mandados de busca e à detenção de 20 pessoas: 17 homens e três mulheres. Um dos detidos foi encontrado em flagrante delito na posse de uma arma proibida. Foram ainda realizadas buscas nos estabelecimentos prisionais da Guarda, Coimbra e Lamego.
Os suspeitos são investigados pelos crimes de tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa, branqueamento de capitais e posse de arma proibida. A PJ considera que a operação permitiu desmantelar a estrutura responsável pelo abastecimento de várias cadeias da região Centro.
O caso surge numa altura em que a entrada de drogas sintéticas nas prisões portuguesas tem vindo a preocupar as autoridades. Em 2025, foram registadas 313 apreensões deste tipo de substâncias em meio prisional, contra 37 em 2023.