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Droga nas prisões: visitas são o principal canal de entrada

Tráfico envolve reclusos, familiares e, em alguns casos, elementos do sistema prisional. Novas drogas sintéticas estão a dificultar a deteção.

A entrada de droga nas prisões portuguesas continua a fazer-se sobretudo através das visitas regulares, segundo o diretor-geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais. A circulação de estupefacientes envolve redes que podem juntar reclusos, familiares e, em alguns casos, guardas prisionais.

A questão voltou a ganhar atenção devido à crescente presença de drogas sintéticas nos estabelecimentos prisionais. Em 2025, foram registadas 313 apreensões deste tipo de substâncias, contra 37 em 2023. Entre as que mais preocupam as autoridades está a chamada K4.

Visitas são a principal porta de entrada

De acordo com Orlando Carvalho, diretor-geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais, as visitas constituem atualmente o principal canal utilizado para fazer chegar droga aos reclusos. A circulação de cocaína, haxixe e outras drogas tradicionais mantém, neste aspeto, padrões semelhantes aos registados nos anos anteriores.

Investigações judiciais já demonstraram como estas redes podem funcionar. Em processos anteriores, fornecedores no exterior recorreram à colaboração de familiares e companheiras de reclusos para fazer chegar estupefacientes aos estabelecimentos prisionais, aproveitando os dias de visita.

A Grande Reportagem SIC sobre o tráfico nas prisões descreveu igualmente um mercado onde participam reclusos, familiares e, em alguns casos, guardas prisionais. O preço da droga pode disparar dentro dos estabelecimentos: segundo a investigação, um grama de cocaína que na rua rondava os 50 euros podia atingir cerca de 150 euros na prisão.

Guardas também surgem em investigações

A própria Direção-Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais reconhece que já foram detetados casos de guardas prisionais suspeitos de facilitar a entrada de droga.

Orlando Carvalho referiu que, no último ano, houve situações deste género, incluindo um caso tornado público relacionado com um estabelecimento prisional situado junto à Polícia Judiciária, em Lisboa. Quando existem suspeitas, podem ser aplicadas suspensões preventivas enquanto decorrem os processos judiciais.

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Casos julgados pelos tribunais mostram também redes com distribuição organizada dentro das prisões, envolvendo reclusos que recebem droga do exterior e outros que asseguram a sua circulação e venda no interior.

Drogas sintéticas estão a mudar o problema

O fenómeno mais recente é, contudo, o aparecimento de drogas sintéticas que apresentam dificuldades acrescidas às autoridades.

A K4 é um dos exemplos. Segundo dados divulgados em março, as apreensões de drogas sintéticas nas prisões aumentaram de 37 em 2023 para 313 em 2025.

Estas substâncias podem ser introduzidas de formas diferentes das drogas convencionais e, segundo a DGRSP, algumas podem ser pulverizadas em correspondência ou roupa, tornando a deteção particularmente difícil.

O problema não é apenas a entrada. Os serviços prisionais alertam também para os efeitos do consumo. Já foram registados surtos psicóticos e situações que exigiram intervenção hospitalar. A DGRSP está, por isso, a trabalhar com o Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências para reforçar a prevenção e encontrar métodos mais eficazes de deteção.

O tráfico de droga nas prisões mantém, assim, uma estrutura que liga o exterior ao interior dos estabelecimentos. As visitas continuam a ser apontadas como a principal porta de entrada, enquanto as novas drogas sintéticas acrescentam um desafio à fiscalização e ao controlo prisional.

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