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Viajar para o estrangeiro ficou mais caro. Porque continuam os portugueses a sair do país?

Apesar dos custos elevados, as viagens dos residentes para o estrangeiro continuam a crescer e atingiram um novo máximo no início de 2026.

Os portugueses estão a viajar cada vez mais para fora do país, mesmo num contexto de aumento do custo das viagens. No primeiro trimestre de 2026, os residentes em Portugal fizeram 923,8 mil deslocações ao estrangeiro, mais 30% do que no mesmo período do ano anterior, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE).

O crescimento é particularmente significativo porque contrasta com a evolução das viagens dentro de Portugal. Entre janeiro e março, as deslocações nacionais aumentaram 3,4%, para 4,6 milhões, enquanto as viagens ao estrangeiro aceleraram 30%.

Viajar para fora continua a ser uma escolha

Os dados anuais ajudam a explicar a dimensão do fenómeno. Em 2025, os residentes realizaram 26 milhões de viagens turísticas, o valor mais elevado da série estatística e mais 13,7% do que no ano anterior.

Dessas, 3,9 milhões tiveram como destino o estrangeiro, representando um crescimento de 12,5% face a 2024. As viagens dentro de Portugal cresceram ainda mais, 14%, para 22,2 milhões.

Ou seja, viajar para fora continua a representar uma parcela menor do total, mas é precisamente esse segmento que apresenta uma das dinâmicas mais fortes.

Estrangeiro custa mais, mas não trava a procura

A principal diferença está no custo. Em 2025, cada viagem ao estrangeiro representou uma despesa média de 803,2 euros por turista. Ainda assim, este valor foi 4,8% inferior ao registado em 2024.

A descida da despesa média não significa necessariamente que viajar esteja mais barato. Pode refletir mudanças no comportamento dos consumidores, como viagens mais curtas, maior recurso a alojamento gratuito ou procura de destinos e soluções de transporte mais económicas.

No conjunto das viagens dos residentes, a despesa média foi de 265,1 euros por viagem em 2025, menos 4,2% do que no ano anterior. Nas deslocações dentro de Portugal, o gasto médio foi bastante inferior: 171,6 euros.

Portugal também ficou mais caro

A comparação entre viajar dentro e fora do país ajuda a perceber porque é que alguns portugueses continuam a escolher destinos estrangeiros.

Leia mais: Portugueses estão a viajar mais para o estrangeiro. Estes são os destinos que mais crescem

As viagens nacionais podem não representar necessariamente uma alternativa barata, sobretudo em períodos de maior procura. Alojamento, restauração e transporte pesam no orçamento e, para determinadas famílias, uma viagem para um destino europeu pode apresentar uma relação entre preço e experiência considerada mais vantajosa.

Não significa que o estrangeiro seja sempre mais barato. Significa que a diferença de preço deixou de ser suficiente, em muitos casos, para impedir a procura por viagens internacionais.

O número de viagens continua a bater recordes

O crescimento das deslocações internacionais não começou este ano. Entre 2016 e 2025, as viagens dos residentes para o estrangeiro registaram um crescimento médio anual de 7,9%, segundo o INE.

A tendência manteve-se depois da pandemia e ganhou novo impulso em 2025 e no início de 2026. No primeiro trimestre deste ano, as viagens ao estrangeiro cresceram quase nove vezes mais do que as viagens realizadas dentro de Portugal.

Há ainda outro fator: viajar tornou-se mais acessível a uma parte da população graças à multiplicação das ligações aéreas, sobretudo para destinos europeus, e à possibilidade de comparar preços e reservar transportes e alojamento pela internet.

No primeiro trimestre de 2026, a internet foi utilizada na organização de 71,8% das viagens ao estrangeiro dos residentes, segundo o INE.

Mais viagens, mesmo com maior pressão sobre os orçamentos

Os números mostram, por isso, uma aparente contradição: os custos continuam a pesar sobre os orçamentos familiares, mas viajar permanece uma prioridade para muitos portugueses.

Em 2025, metade das viagens dos residentes teve como motivo o lazer, recreio ou férias (50,2%), enquanto 37,5% foram realizadas para visitar familiares ou amigos.

O aumento das viagens ao estrangeiro não significa, portanto, que os portugueses estejam a gastar sem preocupação. Os dados apontam antes para uma adaptação: escolher melhor os destinos, comparar preços, reduzir a duração das estadias ou aproveitar redes familiares e outras soluções para baixar os custos.

A conclusão mais evidente é que, apesar do encarecimento das viagens, sair de Portugal continua a fazer parte dos planos de um número crescente de residentes. E os primeiros dados de 2026 mostram que essa procura está, pelo menos para já, a acelerar.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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