Uma rede criminosa conseguiu organizar o fornecimento de droga a quatro estabelecimentos prisionais da região Centro — Guarda, Viseu, Coimbra e Lamego — a partir de uma estrutura comandada por um recluso da cadeia da Guarda. A investigação da Polícia Judiciária, que durou cerca de um ano e meio, terminou com 20 detenções.
A operação, denominada “Tranca Segura”, começou depois de terem sido detetadas entradas de estupefacientes no Estabelecimento Prisional da Guarda. A investigação permitiu perceber que o tráfico não estava limitado a uma cadeia e que existia uma rede organizada entre reclusos e pessoas no exterior.
O comando estava dentro da prisão
Segundo a PJ, o principal responsável pela rede era um recluso da prisão da Guarda, que já tinha cumprido uma pena por tráfico de droga no Peru. Era a partir do estabelecimento prisional que eram dadas as ordens para a aquisição, transporte e distribuição dos estupefacientes.
Grande parte do dinheiro obtido com a venda de droga dentro das cadeias era, segundo a investigação, enviada para o Peru. A PJ apreendeu cerca de 81 mil euros em dinheiro durante a operação.
A estrutura funcionava através de diferentes intervenientes. Algumas pessoas deslocavam-se a grandes centros urbanos para adquirir a droga. Depois, outros elementos asseguravam o transporte até junto dos estabelecimentos prisionais.
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A partir daí, a droga entrava nas cadeias através de visitas. A investigação identificou pessoas que terão participado conscientemente no esquema, mas também visitantes que, segundo a PJ, poderão ter atuado sob pressão ou por receio de consequências para familiares reclusos.
Quatro prisões ligadas pela mesma rede
A organização abastecia os estabelecimentos prisionais da Guarda, Viseu, Coimbra e Lamego. As autoridades realizaram buscas nos estabelecimentos da Guarda, Coimbra e Lamego, além de 23 buscas domiciliárias e não domiciliárias.
A investigação concluiu que os suspeitos tinham experiência anterior no tráfico de droga e conheciam os métodos utilizados pelas autoridades. Por isso, procuravam reduzir o risco de deteção, nomeadamente através do transporte de pequenas quantidades de cada vez.
A PJ descreve uma estrutura em que cada elemento tinha uma função específica: havia quem adquirisse a droga, quem a transportasse, quem assegurasse a entrega junto das prisões e quem a distribuísse no interior.