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Procurar ajuda já não é tabu entre jovens chineses, mas muitos ainda evitam pedí-lo

Cada vez mais estudantes universitários na China procuram aconselhamento psicológico como parte da rotina de bem-estar e crescimento pessoal, numa mudança que reflete uma maior abertura em relação à saúde mental

Xinhua

O suor nas mãos e as dúvidas acompanharam Xiaofang (pseudónimo) quando entrou pela primeira vez no centro de aconselhamento psicológico da universidade, ainda no primeiro ano do curso.

“Uma parte de mim continuava a pensar: talvez eu nem precise realmente de estar aqui”, recorda a estudante finalista da província de Guangdong, no sul da China. “Perguntava-me se estaria apenas a exagerar e preocupava-me que os conselheiros não me compreendessem.”

Como muitos estudantes recém-chegados à universidade, Xiaofang ainda tentava adaptar-se a um novo ambiente. À medida que a pressão da vida académica começou a afetar o sono e o bem-estar emocional, um email de rotina enviado pelo centro de aconselhamento da faculdade levou-a a marcar uma consulta.

“Durante aquelas duas horas, fui lentamente falando sobre tudo o que me estava a pesar. Percebi que, por vezes, sentir-me compreendida e aceite já é, por si só, uma forma de cura”, afirmou Xiaofang, que voltou a procurar apoio psicológico mais tarde, já no terceiro ano.

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E Xiaofang não é caso único. Um número crescente de estudantes nas universidades chinesas procura aconselhamento psicológico como parte dos cuidados pessoais e do bem-estar quotidiano, e não apenas em situações de crise. Os centros de apoio registam um aumento constante da procura, com algumas universidades a reportarem subidas anuais de cerca de 10% a 20% no número de consultas.

No passado, os problemas psicológicos eram frequentemente vistos como uma questão de carácter e não de saúde, explicou Cheng Hongjuan, diretora do centro de educação para a saúde mental da Universidade de Tecnologia de Chengdu. “Hoje, mais jovens encaram o sofrimento emocional da mesma forma que uma constipação ou febre – um problema de saúde normal que merece atenção e cuidados.”

Em algumas universidades, mais de metade das pessoas que procuram aconselhamento não sofrem de qualquer doença mental. Muitos estudantes recorrem a ajuda profissional numa fase precoce para gerir o stress, lidar com emoções e enfrentar desafios pessoais, em vez de esperarem que os problemas se tornem insuportáveis.

Os estudantes procuram sobretudo apoio para questões relacionadas com os estudos, planeamento de carreira, relações pessoais e bem-estar emocional, segundo a diretora do Centro de Desenvolvimento Psicológico Estudantil da Universidade Normal de Sichuan, Luo Lin. Muitas vezes, estes problemas estão interligados, deixando os jovens ansiosos, estressados, inseguros quanto ao futuro ou emocionalmente esgotados.

“A crescente procura de aconselhamento psicológico entre estudantes universitários é, em muitos aspectos, um sinal positivo”, afirmou Cheng.

Esta tendência reflete uma maior disposição dos estudantes para procurarem apoio profissional e enfrentarem abertamente os seus desafios emocionais, segundo a especialista. “Também demonstra a confiança que as universidades construíram gradualmente ao longo de décadas de investimento em educação para a saúde mental e serviços de aconselhamento”, acrescentou.

A psicóloga Zeng Qianqian, sediada em Guangzhou, afirmou que o impacto do aconselhamento pode ir muito além de uma única sessão. Para jovens que vivem períodos de incerteza, sentir-se compreendido e ver as suas emoções reconhecidas pode ser uma experiência poderosa, capaz de permanecer com eles durante muitos anos, explicou Zeng.

A crescente aceitação do aconselhamento psicológico resulta também de anos de investimento em serviços e educação para a saúde mental nos campus universitários chineses.

Em 2011, o Ministério da Educação da China exigiu que as universidades criassem sistemas de educação e aconselhamento psicológico. Atualmente, os centros de apoio psicológico fazem parte integrante das universidades chinesas, juntamente com disciplinas sobre saúde mental, linhas telefónicas de apoio e outros programas de bem-estar.

Além dos serviços de aconselhamento, universidades de todo o país assinalam, todos os meses de Maio, o Mês Nacional de Sensibilização para o Bem-Estar Mental dos Estudantes, através de palestras, workshops, espectáculos temáticos e diversas actividades dedicadas ao bem-estar psicológico.

Durante o mês, as mensagens sobre saúde mental tornam-se omnipresentes nos campus. Cartazes, jogos interactivos, actividades manuais e até peluches para abraços aparecem em centros estudantis e espaços públicos, incentivando os jovens a prestarem mais atenção ao seu equilíbrio emocional.

A campanha teve origem no Dia da Saúde Mental dos Estudantes, celebrado a 25 de maio, já que “5-25” soa de forma semelhante a “wo ai wo” – “amo-me” – em chinês.

Ainda assim, os desafios persistem. Um estudo de 2025 concluiu que 15.5% dos estudantes universitários chineses apresentavam sintomas de ansiedade e 9.8% sinais de depressão. Outro estudo, realizado em 2024, revelou que apenas cerca de um terço dos estudantes que necessitavam de apoio psicológico recorriam efetivamente aos serviços de aconselhamento das universidades.

Mesmo assim, para aqueles que procuram ajuda, a experiência pode ser transformadora. Para Xiaofang, aquilo que antes parecia intimidante tornou-se hoje muito menos assustador – ao ponto de afirmar que incentivaria amigos que estejam a passar por períodos difíceis ou de incerteza a experimentarem o aconselhamento psicológico.

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