Nos primeiros meses do novo mandato, a administração republicana voltou a privilegiar uma abordagem mais unilateral e transacional em áreas como comércio, segurança e alianças internacionais, num contraste crescente com a estratégia diplomática promovida pela China.
A diferença tornou-se particularmente visível num momento em que Pequim procura reforçar a imagem de parceiro estável e defensor do multilateralismo.
Nos primeiros cinco meses de 2026, a China recebeu 21 chefes de Estado e de Governo, segundo cálculos publicados pelo Financial Times com base em dados do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Entre os líderes recebidos em Pequim estiveram representantes da Alemanha, Espanha, Reino Unido, Canadá, Rússia, Paquistão e Sérvia.
Analistas citados pelo jornal britânico consideram que a sucessão de visitas ajuda Pequim a apresentar-se como centro diplomático num contexto internacional marcado por crescente fragmentação geopolítica.
Tarifas, NATO e diplomacia de pressão
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Ao mesmo tempo, Trump retomou uma política externa marcada por negociações bilaterais, pressão tarifária e forte personalização diplomática.
Desde janeiro, o Presidente norte-americano reuniu-se com vários líderes estrangeiros em Washington, Mar-a-Lago e encontros multilaterais internacionais. A administração republicana tem privilegiado relações diretas entre líderes políticos e uma abordagem diplomática centrada em negociação permanente e capacidade de pressão económica, segundo uma análise publicada pelo Polish Institute of International Affairs (PISM).
A política comercial voltou rapidamente ao centro da estratégia norte-americana. Nos últimos meses, Trump ameaçou impor novas tarifas sobre produtos chineses e europeus, retomando uma das principais linhas da sua política externa durante o primeiro mandato. O Presidente norte-americano argumenta que os Estados Unidos continuam a enfrentar desequilíbrios comerciais considerados prejudiciais para a indústria norte-americana.
Ao mesmo tempo, a administração republicana aumentou pressão sobre aliados da NATO para elevarem despesas militares e reforçou críticas a estruturas multilaterais que considera desfavoráveis aos interesses dos Estados Unidos.
A estratégia gerou preocupação entre aliados europeus, sobretudo devido à possibilidade de novas guerras comerciais e crescente instabilidade diplomática.
Em janeiro deste ano, a ministra alemã da Economia, Katherina Reiche, afirmou que “alianças em que confiávamos começam a desmoronar-se”, numa declaração citada pela Reuters sobre as tensões comerciais e estratégicas internacionais.
Irão torna-se principal foco de tensão
A tensão em torno do Irão tornou-se um dos principais focos internacionais da nova administração. Nas últimas semanas, Trump voltou a defender publicamente que Teerão terá de aceitar um novo acordo sobre o programa nuclear iraniano ou enfrentar mais consequências militares.
As declarações ocorreram num contexto de aumento das tensões regionais envolvendo Israel, operações militares no Médio Oriente e receios de agravamento do confronto entre Teerão e aliados norte-americanos na região.
Analistas internacionais têm apontado que a retórica mais agressiva da administração republicana reduziu margem política para negociações diplomáticas prolongadas com o Irão, aumentando receios de escalada militar regional.
Ao contrário da abordagem mais institucional seguida por administrações anteriores, Trump voltou a privilegiar demonstrações públicas de força como instrumento de negociação internacional.
Enquanto Washington reforça uma política externa mais confrontacional, Pequim procura apresentar-se como ator diplomático previsível.
Xi Jinping reduziu significativamente as deslocações internacionais nos últimos anos e passou a concentrar encontros diplomáticos em Pequim. Segundo dados compilados pela Asia Society e citados pelo Financial Times, o líder chinês realizou apenas seis viagens internacionais em 2025 e não saiu da China nos primeiros meses de 2026.