O relatório agora divulgado, baseado em modelos do Met Office britânico e de 13 instituições internacionais, indica uma probabilidade de 86% de que pelo menos um ano entre 2026 e 2030 ultrapasse o atual recorde de temperatura global, registado em 2024. Ao mesmo tempo, existe uma probabilidade de 75% de a média global exceder temporariamente 1,5°C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900) durante este período.
As projeções apontam para um intervalo de aquecimento médio global entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis pré-industriais ao longo dos próximos cinco anos, confirmando uma tendência de aquecimento persistente e consistente, já visível na última década. A OMM recorda que entre 2015 e 2025 se registaram os 11 anos mais quentes alguma vez observados.
O relatório destaca ainda a influência do fenómeno El Niño, que deverá voltar a ganhar relevância no final de 2026, aumentando a probabilidade de um novo pico de temperaturas globais em 2027. Segundo o autor principal do estudo, Leon Hermanson, estes episódios têm um efeito direto na intensificação do calor global, ao aquecerem as águas do Pacífico tropical e alterarem padrões atmosféricos em escala planetária.
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A agência sublinha que o último episódio forte de El Niño, em 2023 e 2024, contribuiu para que esses anos se tornassem os mais quentes de que há registo. Agora, o padrão climático poderá repetir esse efeito de amplificação nos próximos anos.
O estudo alerta também para o aquecimento acelerado do Ártico, onde as temperaturas deverão continuar a subir acima da média global, com valores estimados em cerca de 2,8°C acima do período 1991-2020 durante os próximos invernos prolongados. Em paralelo, prevê-se uma redução contínua do gelo marinho em regiões como os mares de Barents, Bering e Okhotsk.
Apesar do cenário, a OMM esclarece que as ultrapassagens temporárias de 1,5°C não significam, por si só, o incumprimento do Acordo de Paris, que se baseia em médias de longo prazo. Ainda assim, alerta que estes episódios deverão tornar-se mais frequentes à medida que o aquecimento global se aproxima desses limites, refletindo uma tendência de maior instabilidade climática a nível mundial.