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Amazónia regista menos desflorestação em seis anos, progresso histórico entre críticas e retrocessos políticos

A desflorestação na Amazónia brasileira atingiu em 2025 o nível mais baixo desde 2019 e a área desmatada em todo o país ficou, pela primeira vez, abaixo de um milhão de hectares, de acordo com um relatório publicado hoje (27)

Lusa

Os dados, recolhidos pela rede de monitorização MapBiomas, constituem uma boa notícia para o Presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, que se recandidata às eleições em outubro e fez da preservação do ambiente uma prioridade.

Lula comprometeu-se a erradicar a desflorestação ilegal no maior país da América Latina até 2030. O desafio é grande: a cobertura vegetal é essencial para absorver o dióxido de carbono e travar o aquecimento global.

Cerca de 985 mil hectares foram desmatados em 2025, o que representa uma redução de 20.6% em relação ao ano anterior, de acordo com o relatório da MapBiomas. Trata-se da menor área registada desde o início dos levantamentos da MapBiomas, em 2019.

“Constatámos um aumento do controlo e das sanções (…), que têm uma relação direta com a diminuição da desflorestação em todos os biomas brasileiros”, declarou à agência France-Presse (AFP) Marcos Rosa, coordenador técnico desta rede de vigilância.

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De acordo com Rosa, 65% das áreas onde a MapBiomas identificou alertas de perda de vegetação foram alvo de ações concretas por parte das autoridades em 2025, contra 54% em 2024 e apenas 5% em 2019, primeiro ano do mandato do ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro.

O MapBiomas, que reúne universidades, organizações não-governamentais e empresas de tecnologia, atribui quase toda a perda de vegetação à expansão agrícola (99% da área afetada em 2025). Os dados não têm em conta a área de floresta perdida devido aos incêndios.

Na Amazónia, maior floresta tropical do planeta, a área que sofreu a destruição total da cobertura vegetal nativa, no ano passado, caiu 23.5% em relação a 2024, para cerca de 290 mil hectares, o nível mais baixo desde o início dos registos. Apesar desta redução significativa, isso equivale a “cerca de cinco árvores por segundo”, frisa a MapBiomas no relatório.

O bioma mais afetado foi novamente o Cerrado, uma vasta savana rica em diversidade situada a sul da Amazónia, que concentrou mais de metade da desflorestação de 2025 no Brasil, apesar de uma redução de 16.9% em relação ao ano anterior. Mais de 84% da área destruída no ano passado situa-se na Amazónia ou no Cerrado.

Apesar destes números encorajadores, os defensores do ambiente estão preocupados com a aprovação, na semana passada, pela Câmara dos Deputados, de leis que dizem enfraquecer os controlos destinados a travar a desflorestação. Estas leis, promovidas pelo poderoso lobby do agronegócio no parlamento, ainda têm de ser aprovadas pelo Senado.

Lula quer apresentar um bom balanço ambiental a cinco meses das eleições, nas quais espera conquistar um quarto mandato.

O Presidente brasileiro foi, no entanto, criticado pelos ambientalistas pelo apoio a um vasto projeto de exploração petrolífera ao largo da Amazónia.

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