Os dados, recolhidos pela rede de monitorização MapBiomas, constituem uma boa notícia para o Presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, que se recandidata às eleições em outubro e fez da preservação do ambiente uma prioridade.
Lula comprometeu-se a erradicar a desflorestação ilegal no maior país da América Latina até 2030. O desafio é grande: a cobertura vegetal é essencial para absorver o dióxido de carbono e travar o aquecimento global.
Cerca de 985 mil hectares foram desmatados em 2025, o que representa uma redução de 20.6% em relação ao ano anterior, de acordo com o relatório da MapBiomas. Trata-se da menor área registada desde o início dos levantamentos da MapBiomas, em 2019.
“Constatámos um aumento do controlo e das sanções (…), que têm uma relação direta com a diminuição da desflorestação em todos os biomas brasileiros”, declarou à agência France-Presse (AFP) Marcos Rosa, coordenador técnico desta rede de vigilância.
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De acordo com Rosa, 65% das áreas onde a MapBiomas identificou alertas de perda de vegetação foram alvo de ações concretas por parte das autoridades em 2025, contra 54% em 2024 e apenas 5% em 2019, primeiro ano do mandato do ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro.
O MapBiomas, que reúne universidades, organizações não-governamentais e empresas de tecnologia, atribui quase toda a perda de vegetação à expansão agrícola (99% da área afetada em 2025). Os dados não têm em conta a área de floresta perdida devido aos incêndios.
Na Amazónia, maior floresta tropical do planeta, a área que sofreu a destruição total da cobertura vegetal nativa, no ano passado, caiu 23.5% em relação a 2024, para cerca de 290 mil hectares, o nível mais baixo desde o início dos registos. Apesar desta redução significativa, isso equivale a “cerca de cinco árvores por segundo”, frisa a MapBiomas no relatório.
O bioma mais afetado foi novamente o Cerrado, uma vasta savana rica em diversidade situada a sul da Amazónia, que concentrou mais de metade da desflorestação de 2025 no Brasil, apesar de uma redução de 16.9% em relação ao ano anterior. Mais de 84% da área destruída no ano passado situa-se na Amazónia ou no Cerrado.
Apesar destes números encorajadores, os defensores do ambiente estão preocupados com a aprovação, na semana passada, pela Câmara dos Deputados, de leis que dizem enfraquecer os controlos destinados a travar a desflorestação. Estas leis, promovidas pelo poderoso lobby do agronegócio no parlamento, ainda têm de ser aprovadas pelo Senado.
Lula quer apresentar um bom balanço ambiental a cinco meses das eleições, nas quais espera conquistar um quarto mandato.
O Presidente brasileiro foi, no entanto, criticado pelos ambientalistas pelo apoio a um vasto projeto de exploração petrolífera ao largo da Amazónia.