A posição foi transmitida pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, que destacou a importância do encontro num contexto global marcado por “mudança e turbulência”. “A China está pronta para trabalhar com os Estados Unidos para expandir a cooperação e gerir as diferenças”, afirmou, numa conferência de imprensa regular.
A visita é acompanhada por sinais visíveis de acolhimento na capital chinesa. Pequim amanheceu com bandeiras chinesas e norte-americanas hasteadas ao longo do trajeto para o aeroporto, num dispositivo que incluiu também um reforço significativo da segurança em vários pontos da cidade.
Em paralelo, o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um editorial sublinhando que a relação entre Pequim e Washington “não pode voltar ao passado”, mas pode construir “um futuro melhor”. O texto apresenta a cimeira como uma oportunidade para as duas potências contribuírem para a estabilidade de um mundo “turbulento”.
Trump viaja acompanhado por um grupo restrito de líderes empresariais dos Estados Unidos, entre os quais executivos de grandes multinacionais dos setores tecnológico, financeiro, aeronáutico e dos pagamentos, sinalizando o peso da agenda económica na deslocação.
Antes do encontro entre os dois Presidentes, estão previstas negociações económicas e comerciais entre o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, à margem de reuniões em Seul.
Leia mais: Venda de armas a Taiwan estará no centro da cimeira Xi-Trump
O editorial do Diário do Povo enquadra ainda a diplomacia presidencial como uma “âncora” da relação bilateral, defendendo que os encontros diretos entre Trump e Xi Jinping ajudam a evitar desvios estratégicos, ao mesmo tempo que sublinha Taiwan como “linha vermelha” para Pequim.
A segurança foi particularmente reforçada nas imediações do hotel onde o Presidente dos EUA ficará hospedado, próximo da Embaixada norte-americana, bem como em cruzamentos estratégicos da cidade, com presença policial e militar visível.
A cimeira sino-americana, agendada para quinta e sexta-feira, tem como objetivo declarado estabilizar as relações entre as duas maiores potências mundiais, num contexto de rivalidade estratégica persistente, apesar da atual trégua tarifária.
O comércio deverá dominar a agenda, com Washington a procurar avanços em áreas como a aeronáutica, a energia e a agricultura, num quadro de forte interdependência económica e competição geopolítica crescente.