O Presidente norte-americano afirmou hoje (12) que vai discutir com o homólogo chinês, Xi Jinping, a venda de armas dos Estados Unidos a Taiwan durante a deslocação que realiza esta semana a Pequim. “Vou ter essa conversa com o Presidente Xi. O Presidente Xi gostaria que não o fizéssemos [vender armas a Taiwan], e terei essa conversa”, declarou Donald Trump, questionado pelos jornalistas na Sala Oval da Casa Branca.
Trump fez estas declarações apesar da posição histórica dos Estados Unidos, consolidada desde a presidência de Ronald Reagan em 1982 e conhecida como as “seis garantias”, que estabelece que Washington não consulta Pequim sobre decisões relacionadas com a venda de armamento defensivo a Taiwan. Donald Trump, que chega a Pequim na quarta-feira à noite, desvalorizou também o risco de uma invasão da ilha pela China.
“Não creio que isso vá acontecer”, afirmou sobre Taiwan, considerando que a “excelente relação” com Xi Jinping deverá impedir qualquer iniciativa militar por parte de Pequim. “Xi Jinping sabe que não quero que isso aconteça”, acrescentou.
O republicano sublinhou ainda que mantém “uma excelente relação” com o líder chinês, com quem disse estar a concretizar “muitos negócios”. “Tenho muito respeito por ele e espero que ele também me respeite. Ele não respeitou o nosso governo anterior, o de Joe Biden”, afirmou.
Leia também: Taiwan confiante na relação com Estados Unidos antes da cimeira Xi-Trump
Trump chega à capital chinesa para dois dias de reuniões com Xi Jinping, numa visita muito aguardada, depois de ter sido adiada na sequência da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão. Espera-se que os dois líderes abordem, entre outros temas, a venda de armamento e o apoio norte-americano à ilha, depois de Xi ter instado Trump, em fevereiro, a “agir com prudência” relativamente ao envio de armas para Taipé.
A cimeira desta semana será a segunda reunião entre os líderes das duas superpotências desde o início do segundo mandato de Trump, depois do encontro realizado no ano passado na Coreia do Sul.
Donald Trump indicou ainda que irá pedir a Xi Jinping a libertação de Jimmy Lai, antigo magnata dos meios de comunicação social pró-democracia de Hong Kong, condenado em fevereiro a 20 anos de prisão por violação da segurança nacional. O Presidente norte-americano afirmou também que pretende abordar em Pequim o caso de um pastor cristão detido na China, identificado pela imprensa norte-americana como Ezra Jin.
Trump será acompanhado na visita por 16 executivos de algumas das maiores empresas norte-americanas, segundo o jornal The New York Times. A delegação inclui Elon Musk, da Tesla, Tim Cook, da Apple, Larry Fink, da BlackRock, Kelly Ortberg, da Boeing, David Solomon, da Goldman Sachs, Cristiano Amon, da Qualcomm, Stephen Schwarzman, da Blackstone, e Larry Culp, da GE Aerospace.
Entre os participantes encontram-se ainda os presidentes executivos da Cargill, Citi, Coherent, Illumina, Mastercard, Micron Technology e Visa. As únicas mulheres presentes na delegação serão Jane Fraser, do Citi, e Dina Powell, da Meta.
Trump pretende discutir com Pequim a criação de uma comissão bilateral de investimento e outra dedicada ao comércio, de acordo com o The New York Times, citando membros da administração norte-americana. A presença de Elon Musk na comitiva é vista como um sinal de reaproximação com Trump, após a saída do empresário do Governo em maio de 2025, onde liderava o chamado Departamento de Eficiência Governamental, criado para reduzir a despesa pública.
Trump e Musk afastaram-se após um confronto relacionado com o pacote orçamental promovido pelo Presidente norte-americano. Desde o regresso de Trump à Casa Branca, surgiram especulações de que Musk poderia desempenhar um papel informal de mediação com a China, devido aos frequentes elogios que fez à presença da Tesla no mercado chinês.