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Macau injeta 80 milhões para travar subida dos combustíveis

O Governo de Macau anunciou hoje (7) que vai disponibilizar 80 milhões de patacas (8,4 milhões de euros) aos operadores petrolíferos da região para aliviar o aumento no preço dos combustíveis gerado pela guerra no Médio Oriente

Lusa - Macau

“O plano visa aliviar a pressão sobre os custos e evitar que o aumento do preço do diesel seja repercutido nos preços de bens de consumo”, afirmou o diretor da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Yau Yun Wah.

O novo subsídio anunciado pelas autoridades de Macau será de 3,3 patacas (0,35 euros) por litro de gasóleo, o mais usado na cidade, durante dois meses, entre 11 de maio e 10 de julho de 2026. Os utilizadores de gasóleo em Macau consomem cerca de 11 milhões de litros de gasóleo por mês, com aproximadamente 8.600 veículos movidos por esse combustível registados na cidade, de acordo com Yau Yun Wah.

“Os fornecedores de combustíveis aderentes deverão manter os descontos já praticados, aplicando o subsídio governamental sobre o preço depois do desconto. Os recibos terão de indicar o preço original e o montante do subsídio. E os postos de abastecimento vão afixar cartazes informativos sobre a medida”, indicou Yau.

Questionado sobre se o plano será mantido no caso dos preços de combustíveis se mantiverem ou aumentarem, Yau sublinhou que se trata de uma medida “provisória, específica e limitada no tempo”, destinada a apoiar imediatamente os utilizadores de diesel e ajudar o setor a superar dificuldades. “Vamos continuar a monitorizar e a comunicar com o setor petrolífero e de acordo com a situação internacional”, acrescentou.

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As cinco operadoras petrolíferas de Macau vão ficar obrigadas a manter registos completos e a apresentar relatórios quinzenais, com auditores independentes a analisar as informações oferecidas e a verificar eventuais irregularidades, como registos falsos.

As importações totais de petróleo pela Ásia, que absorvem 85% dos envios de crude do Golfo, caíram a pique 30% em abril face ao ano anterior, atingindo o nível mais baixo desde Outubro de 2015, segundo dados da Kpler, depois de dois meses de bloqueio do Estreito de Ormuz.

O esreito foi praticamente encerrado na sequência da guerra lançada contra o Irão pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. A escassez de petróleo e gás natural levou a aumentos generalizados dos combustíveis a nível global, com Macau a registar um aumento súbito entre abril e maio no preço do gasóleo, que atinge atualmente as 21 patacas (2,21 euros) por litro.

A China, o maior importador de petróleo do mundo, protegeu-se da atual crise com reservas consideráveis, uma cadeia de fornecimento de energia diversificada e restrições à exportação de combustíveis e fertilizantes.

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Atualmente, existe uma grande disparidade nos preços de combustíveis entre Macau e o interior da China. Por exemplo, as gasolineiras de Zhuhai, a cidade chinesa mais próxima de Macau, praticam preços máximos de gasóleo na ordem dos 8,14 yuan (1 euro), metade do preço praticado em Macau.

Segundo o diretor da DSEDT, os preços em Macau “seguem a plataforma de Singapura”, como acontece em toda a Ásia-Pacífico, enquanto no interior da China são determinados pela Comissão de Reforma e Desenvolvimento, que define a estratégia económica nacional e aplica limites e reduções temporárias para suavizar os impactos de picos anormais nos preços globais.

Singapura atua como principal definidora de preços de gasóleo na região da Ásia-Pacífico, por ser um importante centro regional de refinação e distribuição. Existem cinco operadoras petrolíferas no mercado em Macau: Total, Shell, Esso, Caltex e a companhia estatal Nam Kwong Oil, com esta última a deter o monopólio da distribuição de combustível em Macau e a gerir o único terminal de petróleo para fins públicos e comerciais da cidade, segundo a informação oficial.

Questionado sobre se o Governo poderia negociar com a Nam Kwong uma redução dos custos dos combustíveis, num modelo semelhante ao do interior da China, Yau apontou para a cirscunstância de o mercado ser “livre”. Os preços dos combustíveis em Macau são “definidos de acordo com o preço de mercado”, disse.

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