A diretora do Instituto Português do Oriente (IPOR), Patrícia Ribeiro, disse que o tema desta edição, “A Minha Cidade”, partiu de um encontro com o ilustrador português André Letria. “Nós já tínhamos pensado que o tema (…) seria à volta do envolvimento das crianças com o espaço e o André tem uma série de mapas ilustrados”, explicou.
André Leiria lançou o desafio e alunos de quatro escolas locais criaram “imensos mapas ilustrados” da região chinesa, cerca de 30 dos quais estarão expostos no IPOR de domingo até 24 de maio, referiu a diretora da instituição. O criador da editora Pato Lógico irá ainda lançar o seu próprio mapa de Macau e dinamizar oficinas sobre ilustração em escolas e uma formação de professores sobre literacia visual.
A abertura oficial acontece no sábado, na Escola Portuguesa de Macau, com a entrega de minibibliotecas a instituições locais onde se ensina português, algo que já tinha acontecido nas edições anteriores. Mas as atividades já começaram na terça-feira, com o Mercado das Letrinhas, uma feira de livros infantis de autores lusófonos – alguns também disponíveis em chinês e inglês – que vai estar na Livraria Portuguesa de Macau até 24 de maio.
Na quinta-feira, Afonso Cruz vai apresentar, ainda na Livraria Portuguesa, a edição em português do livro “Assim, mas sem ser assim: Considerações de um Misantropo”, ilustrado por Mariana Rio. No domingo, o autor português realiza, no IPOR, o workshop “A Arquitetura das Histórias”, que quer estimular crianças dos 10 aos 15 anos “para a criatividade artística do pensamento e da escrita criativa”, referiu Patrícia Ribeiro.
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No mesmo dia, o IPOR exibe quatro curtas-metragens infantis, escolhidas a partir do Monstra – Festival de Animação de Lisboa de 2025.
Em 15 de maio, Inês Cardoso lança na Livraria Portuguesa uma edição bilíngue português-chinês do livro infantil “De Londres ao Porto numa gaivota”.
“Um dos objetivos do festival todos os anos é fazer um lançamento também em língua chinesa de uma obra infantojuvenil”, sublinhou Patrícia Ribeiro. Mas a obra de Inês Cardoso será a primeira numa parceria com a Porto Editora. “Queremos continuar e temos a próxima edição para 2027 também já projetada, mas ainda é segredo”, sublinhou a diretora do IPOR.
Em 16 de maio, Inês Cardoso, que é também diretora do Jornal de Notícias, dará uma formação a professores sobre como “Combater a Desinformação na Era da IA”. “Pretendemos ainda, isto já fora do próprio festival, fazer um encontro com jornalistas, tendo em conta a área de trabalho e a vasta experiência que [Inês Cardoso] tem”, acrescentou Patrícia Ribeiro.
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No mesmo dia, o programa prevê a adaptação teatral, por parte da companhia local Sílaba, do livro infantil de Carlos Alberto Silva “A Revolta dos Lusecos”, que fala de forma alegórica sobre o 25 de Abril de 1974.
A diretora do IPOR admitiu que “é um desafio” contar a história a uma geração que “não tem referências históricas” sobre a Revolução dos Cravos. “Quando se está longe, ainda é um esforço maior”, acrescentou.
O festival encerra em 24 de maio, na Fundação Rui Cunha, com o espetáculo musical “(En)Cantar com Alice e Sebastião”, que traz a Macau a cantora portuguesa Sara Meireles. Mas antes, o projeto, que inclui 12 canções temáticas, alinhadas com os programas educativos e de diversos estilos musicais, vai passar por várias escolas do território.
O Letras & Companhia é organizado em parceria com o Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong e com o patrocínio da operadora de casinos Galaxy Entertainment Group, contando ainda com a colaboração da Fundação Oriente, do Camões-Instituto da Cooperação e da Língua, entre outros.