A origem do grupo remonta ao final da década de 1980, quando Ding Shizhong iniciou atividade no setor do calçado com produção em pequena escala, num contexto de abertura económica gradual da China. Em 1991, fundou oficialmente a Anta na cidade de Jinjiang, que viria a tornar-se um dos maiores centros industriais mundiais de calçado.
Durante anos, a empresa funcionou como subcontratada de grandes marcas internacionais, beneficiando da forte concentração industrial da região, onde existiam cadeias completas de produção altamente especializadas. Esse ecossistema permitiu ganhos de escala, rapidez e eficiência, ao mesmo tempo que proporcionou à Anta conhecimento profundo sobre design, produção e distribuição.
O crescimento da empresa acelerou após a entrada na bolsa de Hong Kong em 2007, momento em que consolidou a transição de fabricante para marca global. A partir daí, a estratégia passou a assentar na expansão através de aquisições e no desenvolvimento de um portefólio multimarca.
Entre as principais operações destaca-se a entrada na Fila na China, a aquisição da Amer Sports — que integra marcas como Arc’teryx e Salomon — e o reforço da presença global com a Wilson e uma participação relevante na Puma. Este modelo permite à Anta crescer internacionalmente através de marcas já estabelecidas no mercado ocidental.
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Atualmente, o grupo opera mais de 10 mil lojas na China e centenas de pontos de venda no estrangeiro, com planos de expansão contínua, sobretudo na Ásia. A estratégia passa por consolidar presença global sem depender exclusivamente da marca própria.
Apesar do crescimento, o desafio da Anta continua a ser a afirmação da sua identidade fora da China, num mercado onde a perceção sobre produtos chineses ainda representa um obstáculo. A empresa procura ultrapassar essa barreira através de patrocínios desportivos e da associação a atletas de elite, como Eileen Gu, embora ainda esteja distante do impacto cultural de marcas como a Nike.
A trajetória da Anta reflete uma tendência mais ampla da economia chinesa: empresas que começaram como parte da cadeia global de produção e que agora competem diretamente com os antigos clientes, num mercado cada vez mais globalizado e competitivo.