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Hengqin promove base audiovisual internacional

A Cidade Internacional de Cinema e Televisão de Hengqin quer afirmar-se como uma plataforma vocacionada para a produção de curtas-metragens dramáticas destinadas ao mercado internacional. Em entrevista ao PLATAFORMA, Li Ming, subdiretor-geral da ChineseAll (Guangdong Hengqin) International Film and Television Industry Development Co., Ltd., destaca as vantagens de localização, os apoios à produção e o potencial de integração com Macau

Inês Lei, em Hengqin

– Como foi desenvolvido o projeto da Cidade Internacional de Cinema e Televisão de Hengqin e e que balanço faz do seu desenvolvimento até agora?

Li Ming – A Cidade Internacional de Cinema e Televisão de Hengqin é um projeto conjunto criado no âmbito de uma parceria entre o Grupo ChineseAll e o fundo orientador de Hengqin. O planeamento teve início em março de 2025, a construção arrancou oficialmente a 12 de agosto do mesmo ano e a base recebeu a sua primeira equipa de filmagem – a produção da TVB The City of Brilliance – a 9 de janeiro de 2026. Após o Festival da Primavera, o espaço abriu formalmente ao setor. Até ao momento, já foram asseguradas quase trinta produções audiovisuais de diferentes géneros, incluindo publicidade e curtas-metragens dramáticas, com filmagens previstas até ao final do mês.

– Que vantagens competitivas oferece Hengqin, em termos de localização, políticas e recursos, face a outras bases de produção audiovisual na China continental?

L. M. – Hengqin beneficia, desde logo, de uma localização estratégica na Grande Baía e da proximidade a Macau, o que lhe confere uma vantagem significativa em termos de acessibilidade e mobilidade face a outras bases audiovisuais na China continental. A isso juntam-se as políticas específicas de apoio em vigor em Hengqin, bem como a complementaridade entre os recursos disponíveis em Hengqin e em Macau. Esta conjugação permite satisfazer entre 80% e 100% das necessidades de cenários das equipas de filmagem. Além disso, as equipas podem entrar através de Macau com visto de trabalho e deslocar-se à China para períodos de filmagem mais prolongados, podendo o prazo inicial de 30 dias ser alargado até 90 dias mediante autorização de residência.

– Qual é o posicionamento estratégico da base em termos de cenários e produções, nomeadamente no segmento das curtas-metragens dramáticas para o mercado internacional?

L. M. – A base foi concebida com um posicionamento claramente orientado para a produção de curtas-metragens dramáticas destinadas ao mercado internacional. Toda a planificação dos cenários foi pensada para responder às exigências específicas deste segmento. A plataforma internacional Flareflow, associada ao projeto, já reúne mensalmente vários projetos em filmagem e está atualmente a transferir para Hengqin um grande número de produções que antes eram realizadas no estrangeiro. Entre os principais fatores de atração contam-se custos de produção mais reduzidos, a resolução de questões relacionadas com vistos de trabalho, a qualidade e adequação dos cenários disponíveis e ainda as políticas locais de apoio à produção de curtas-metragens.

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A base de Hengqin assume-se como uma infraestrutura essencial para a concretização prática da estratégia global da empresa no setor das curtas-metragens dramáticas – Li Ming, subdiretor-geral da ChineseAll (Guangdong Hengqin) International Film and Television Industry Development

– De que forma este projeto se insere na estratégia internacional da ChineseAll para a indústria das curtas-metragens?

L. M. – A criação da Cidade Internacional de Cinema e Televisão de Hengqin está diretamente ligada à estratégia de internacionalização da ChineseAll. A prioridade estratégica da empresa, tal como da própria base, é o mercado externo. A ChineseAll iniciou o seu processo de expansão internacional em 2016 e, ao longo da última década, não se limitou à exportação de direitos de conteúdos, tendo também desenvolvido plataformas próprias. Um dos exemplos mais relevantes é a Flareflow, que alcançou posições de destaque no Google Play e na secção de entretenimento gratuito da App Store poucos meses após o lançamento. Neste contexto, a base de Hengqin assume-se como uma infraestrutura essencial para a concretização prática da estratégia global da empresa no setor das curtas-metragens dramáticas.

– Como avalia o atual desenvolvimento do mercado global de curtas-metragens dramáticas e qual é a estratégia de distribuição internacional adoptada?

L. M. – As curtas-metragens dramáticas afirmam-se atualmente como um dos grandes fenómenos culturais à escala global, com presença em grande parte dos mercados internacionais, incluindo América do Norte, América do Sul, Sudeste Asiático, Japão e Estados Unidos. Perante esta realidade, a estratégia assenta numa lógica de distribuição global, através da plataforma Flareflow. O objetivo não é concentrar em mercados isolados, como o Brasil ou Singapura, mas antes expandir de forma abrangente a um número crescente de países e regiões. Atualmente, a plataforma já está presente em mais de 200 países e regiões.

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– Que papel poderá a Cidade Internacional de Cinema e Televisão de Hengqin desempenhar na integração cultural e profissional entre Hengqin e Macau?

L. M. – Um dos eixos relevantes do projeto passa precisamente pelo reforço da integração entre Hengqin e Macau. A base pretende atrair mais profissionais de Macau, incluindo residentes locais, para participarem nos processos de criação cinematográfica e televisiva. Ao mesmo tempo, estão a ser estudadas estratégias de desenvolvimento orientadas também para o consumo e para a formação, nomeadamente através de colaborações práticas com universidades de Macau e da disponibilização de recursos da cidade de cinema para serviços dirigidos ao público, como filmagens temáticas de curtas-metragens, fotografia de casamento e retratos pessoais.

– Estão previstas medidas ou políticas específicas para apoiar a participação de equipas, profissionais e instituições de Macau neste projeto?

L. M. – Sim. Já tiveram lugar contatos preliminares com o Instituto Cultural de Macau e com o Fundo de Desenvolvimento da Cultura de Macau. Além disso, a política de apoio às curtas-metragens em Hengqin prevê uma determinada percentagem de majoração especificamente dirigida ao setor de Macau. Os detalhes dessas medidas deverão ser anunciados na Conferência Global de Lançamento das Curtas-Metragens de Hengqin, marcada para 16 de Abril.

(O PLATAFORMA deslocou-se a Hengqin a convite da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau)

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