O Paquistão e a China apresentaram hoje, dia 1, uma proposta para um cessar-fogo da guerra no Irão, reabertura do estreito de Ormuz e início de conversações de paz em toda a região do Médio Oriente.
A proposta, de cinco pontos, foi discutida durante uma visita a Pequim do ministro dos Negócios Estrangeiros paquistanês, Ishaq Dar, para se reunir com o homólogo chinês, Wang Yi.
Esta iniciativa pretende servir de linha orientadora aos esforços diplomáticos para pôr fim à guerra e restaurar a estabilidade na região, incluindo a livre navegação pelo estreito de Ormuz, uma via navegável crucial para o abastecimento global de petróleo.
A agência de notícias oficial chinesa Xinhua disse que a proposta exige a suspensão imediata das hostilidades, o início das negociações de paz o mais rapidamente possível, a garantia da segurança dos alvos não militares e também da navegação.
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O Paquistão está a intensificar os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra, depois de ter recebido os ministros dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, do Egito e da Turquia no fim de semana passado e de ter indicado que espera acolher negociações entre os Estados Unidos e o Irão nos próximos dias.
O primeiro ponto da iniciativa Islamabad-Pequim centra-se na obtenção de um cessar-fogo imediato e no fim das hostilidades, bem como no esforço para evitar uma maior escalada do conflito, incluindo através do envio de ajuda humanitária a todas as áreas afetadas pela guerra.
Isto deve ser seguido pelo início das negociações de paz “o mais rapidamente possível”, de acordo com a proposta apresentada.
“A soberania, a integridade territorial, a independência e a segurança do Irão e dos Estados do Golfo devem ser respeitadas. O diálogo e a diplomacia são o único caminho viável para a resolução de conflitos”, sublinhou o documento, que pediu um compromisso para uma resolução dos litígios exclusivamente por meios pacíficos e para que as partes se abstenham do uso ou da ameaça de força.
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Este ponto aludia claramente às exigências feitas por Teerão para que a agressão militar não se repita, depois de os dois últimos processos diplomáticos com Washington terem terminado abruptamente com ataques militares norte-americanos.
Da mesma forma, o terceiro ponto defendeu uma garantia da segurança de “alvos não militares” para evitar violações do princípio da proteção dos civis.
“A China e o Paquistão apelam a todas as partes para que cessem imediatamente os ataques contra civis e alvos não militares, cumpram integralmente o direito internacional humanitário e interrompam os ataques a infraestruturas essenciais, como instalações energéticas, centrais de dessalinização, sistemas elétricos e instalações nucleares pacíficas, incluindo centrais nucleares”, de acordo com a proposta divulgada pela Xinhua.
Em relação ao estreito de Ormuz, o documento sublinhou que a segurança da navegação nesta área estratégica deve ser garantida.
“O estreito de Ormuz e as águas circundantes são rotas internacionais vitais para o comércio de bens e energia. A China e o Paquistão instam todas as partes a garantir a segurança das embarcações e tripulações retidas no estreito, a providenciar a passagem segura e rápida de navios civis e comerciais e a restabelecer a navegação normal no estreito o mais rapidamente possível”, indicaram.
A China e o Paquistão sublinharam ainda, como quinto ponto da iniciativa, a “salvaguarda da primazia da Carta da ONU [Organização das Nações Unidas]”, insistindo que “o multilateralismo genuíno deve prevalecer, promovendo conjuntamente um papel mais forte da ONU e apoiando a conclusão de acordos baseados nos propósitos e princípios da Carta da ONU e do direito internacional”.
Esta é a abordagem que deve ser seguida para se chegar a “uma estrutura de paz abrangente e alcançar uma paz duradoura”, concluíram.