Um tribunal chinês condenou, no dia 26, Tan Ruisong, ex-presidente da Corporação da Indústria de Aviação da China (AVIC, na sigla em inglês), à pena de morte com suspensão por dois anos, por receber o equivalente a mais de 69 milhões de euros em subornos.
O Tribunal Popular Intermédio de Dalian, no nordeste da China, aplicou igualmente uma pena de 15 anos de prisão e uma multa de 5 milhões de yuan (cerca de 629 mil euros) por desvio de fundos, além de mais seis anos de cadeia por uso de informação privilegiada e divulgação de informação confidencial, informou a televisão estatal CCTV.
A pena de morte fica suspensa por um período de dois anos, durante o qual, caso Tan não cometa novos crimes e mantenha bom comportamento, a sentença será comutada para prisão perpétua, uma prática comum em casos de corrupção na China.
Segundo a sentença, Tan aceitou subornos no valor superior a 613 milhões de yuan (cerca de 72 milhões de euros), além de se ter apropriado ilegalmente de aproximadamente 90 milhões de yuan (11 milhões de euros) em fundos públicos durante o período em que trabalhou em várias empresas do setor aeronáutico estatal.
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O tribunal concluiu que o ex-dirigente utilizou os cargos que ocupou em várias subsidiárias da AVIC para favorecer terceiros em operações empresariais e na adjudicação de projetos, em troca de pagamentos ilegais.
A decisão considera ainda provado que, entre 2012 e 2023, Tan realizou operações bolsistas com base em informação privilegiada e divulgou dados confidenciais a terceiros em diversas ocasiões, num comportamento classificado como de “circunstâncias particularmente graves”.
O tribunal indicou que os crimes de suborno e desvio de fundos causaram “graves prejuízos” aos interesses do Estado e da população, e que o montante dos subornos foi “especialmente elevado”, justificando uma punição severa.
Ainda assim, o tribunal teve em conta circunstâncias atenuantes, como a confissão dos factos, a colaboração com as autoridades e a devolução dos bens obtidos ilegalmente, o que permitiu suspender a execução imediata da pena capital.
O caso de Tan insere-se numa série de investigações recentes em setores estratégicos como o aeroespacial e o da defesa, onde as autoridades intensificaram o escrutínio sobre altos responsáveis de empresas estatais e organismos ligados à indústria militar.
Desde que chegou ao poder em 2012, o Presidente chinês e secretário-geral do Partido Comunista da China, Xi Jinping, tem impulsionado uma campanha anticorrupção que abrange funcionários de todos os níveis, desde quadros locais até altos dirigentes e executivos de conglomerados estatais.