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Brasil limita uso de IA nas eleições

O Tribunal Superior Eleitoral do Brasil aprovou novas regras para restringir o uso de inteligência artificial na campanha para as eleições presidenciais e legislativas de outubro, procurando travar a desinformação e proteger a integridade do processo democrático

Lusa

O Tribunal Superior Eleitoral do Brasil proibiu, na segunda-feira, a publicação de propaganda feita com inteligência artificial (IA) na reta final das eleições presidenciais e legislativas do próximo mês de outubro. A resolução, aprovada por unanimidade, impede a reprodução de material criado com IA nas 72 horas anteriores às eleições, bem como nas 24 horas posteriores.

Além disso, os magistrados decidiram que toda a propaganda eleitoral, desde imagem a som, feita com a ajuda dessas ferramentas, deverá informar de forma “explícita, destacada e acessível” sobre a tecnologia utilizada.

A medida visa “excluir surpresas indesejáveis no período mais crítico” do processo e “impedir a interferência algorítmica”, afirmou durante a discussão o relator da proposta, o juiz Kássio Nunes Marques. Adicionalmente, a decisão proíbe a manipulação de imagens ou sons, conhecida como ‘deepfakes’, para “prejudicar ou favorecer” uma candidatura específica.

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O não cumprimento dessas regras será considerado “abuso de poder político” e “uso indevido dos meios de comunicação social” e poderá acarretar a perda do registo do candidato ou do mandato para o qual foi eleito, de acordo com a resolução.

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, candidato da esquerda à reeleição, tem expressado repetidamente preocupação com o uso da IA nas eleições. Durante uma cimeira de líderes mundiais dedicada a esta tecnologia, realizada no final de fevereiro na Índia, o dirigente disse que a IA poderia fomentar “práticas extremamente nefastas”, como discursos de ódio e desinformação.

“Conteúdos falsos manipulados com inteligência artificial distorcem os processos eleitorais e colocam em risco a democracia”, declarou.

Nas eleições anteriores, realizadas em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral adotou uma atitude proativa face à publicação de milhares de notícias falsas nas redes sociais e determinou a retirada de conteúdos e até mesmo a eliminação de inúmeras contas de utilizadores.

Essa ação fez com que a instituição se tornasse um importante alvo de críticas por parte da extrema direita liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).

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