Macau caminha para uma “sociedade superenvelhecida” e participa na construção da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau. Ao longo de 14 anos de implementação, o Plano de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo contou com mais de 240.000 participações de pessoas com 65 anos ou mais, mostrando uma forte procura por autoaperfeiçoamento.
Ao mesmo tempo, o Governo da RAEM deve aproveitar a oportunidade do “Relatório das Linhas de Acção Governativa de 2026“, que propõe a nova orientação de desenvolvimento “Macau + Hengqin”, para rever em profundidade as regras do Plano e alargar, de forma ordenada, o âmbito de apoio à Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin, ajudando os residentes de Macau a integrarem-se na vida Macau–Hengqin.
Atualmente, a população com 65 anos ou mais já ultrapassou 100.000 pessoas. Muitos idosos referem que a “Conta Única de Macau” é complexa e que a informação está dispersa, criando barreiras digitais. Por isso, propõe-se usar tecnologia de inteligência artificial para desenvolver uma “função inteligente de recomendação de cursos” e um guia de voz com IA, destinados aos idosos; e acelerar a atualização para a “Conta Única de Macau 3.0”, ligando serviços de forma mais precisa à idade do utilizador.
Recomenda-se ainda, em articulação com a “economia grisalha”, criar cursos mais profissionais ou alinhados com quadros de qualificações, e incentivar instituições de ensino superior a oferecer conteúdos diversificados, como ciências do comportamento social e turismo de património cultural.
A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude indicou, em resposta a uma interpelação escrita, que já otimizou a versão simplificada da “Conta Única de Macau” e que, desde 2025, tem visitado residências e comunidades de idosos para orientar, presencialmente, sobre o uso das plataformas eletrónicas.
Para libertar o potencial de formação dos residentes, sugere-se: 1) reconhecer instituições de formação com investimento de Macau em Hengqin, permitindo que entidades na Zona de Cooperação, que cumpram padrões de ambas as partes, se candidatem a instituições reconhecidas, facilitando a vida transfronteiriça e apoiando a política “um exame, múltiplas certificações”;
2) aproveitar Hengqin para formação desportiva, criando mecanismos transfronteiriços de uso de instalações para cursos que exigem equipamentos de grande porte, tirando partido do contexto dos Jogos Nacionais e aliviando a falta de recintos em Macau;
3) criar uma plataforma de informação “one-stop”, com uma área dedicada à Zona de Cooperação dentro da “Conta Única de Macau”, integrando cursos, inscrições e pedidos de apoio, assegurando interoperabilidade de dados e reduzindo assimetrias de informação.
Por fim, recomenda-se que o Governo adote uma visão mais prospetiva, atuando em várias frentes – avaliação de riscos, gestão inteligente e cooperação interregional – para construir um sistema resiliente de aprendizagem ao longo da vida. Com o aperfeiçoamento contínuo das políticas, será possível não só enriquecer a vida dos idosos, mas também transformar estes recursos em força motriz para a integração regional.