Apreciei sinceramente a forma como decorreu o último acto eleitoral, sem notícias de incidentes em alguma das várias secções de voto espalhadas pelo mundo; ou alegações, cada vez mais comuns por esse mundo, de que as eleições não foram justas. Só posso desejar que no dia 8 de fevereiro esta realidade se repita.
Aguardo com alguma expectativa o dia 9 para ver o destino dos votos que na primeira volta foram para os candidatos que por aí se ficaram, nomeadamente para onde irão os 1073 votos que o candidato Marques Mendes teve em Macau (vitória da liberdade individual ou do caciquismo local?).
Espero que quem foi votar na primeira volta o volte a fazer na segunda; e não fique refém de uma lógica partidária, que privilegia o interesse de um grupo em detrimento do interesse do país. Ao contrário do que amiúde se vai ouvindo, não se trata de um embate entre direita e esquerda, mas sim entre duas visões radicalmente diferentes do exercício das funções presidenciais.
Tenho para mim que, independentemente de quem for o vencedor, o resultado levará a que haja mudanças de fundo na política portuguesa. Nos últimos anos tem-se sentido um aumento de tensão entre todos os atores políticos, cada um entrincheirado na sua ideologia, impossibilitando o debate e a convergência democrática.
O resultado destas eleições permitirá perceber se o que os portugueses querem é o regresso da convergência, moderar e conciliar visões distintas da sociedade; ou extremar a discussão ideológica e a imposição de uma visão do mundo e da sociedade.
A liberdade é a base da democracia. A liberdade de cada um dizer o que pensa, sem medo de ser cancelado ou sujeito a perseguição política ou a qualquer punição. No fundo, a democracia assenta na liberdade de concordar em discordar, só se fortalecendo quando todos os intervenientes são capazes de se entender e conviver de forma urbana com ideias diferentes. O messianismo, a soberba, o individualismo e a agressividade têm o efeito contrário.