No início do dezembro, terminou o debate das Linhas de Acção Governativa. Na estreia como deputado, Chan Lai Kei considera que o relatório do Governo se destaca pela estabilidade, ordem e pragmatismo. E ficou sobretudo impressionado com o novo polo universitário: “Prevê acolher cerca de vinte mil estudantes; crucial para a diversificação industrial e a formação. Estou ansioso pela implementação de políticas relativas a talentos e à segurança de dados; e quero perceber como a Cidade Universitária pode gerar sinergias e impulsionar o desenvolvimento de Macau”.
Chan Lai Kei também se mostra preocupado com a queda da natalidade, e o impacto deste fenómeno nas matrículas escolares e no emprego de professores. “Esta questão está igualmente relacionada com as futuras políticas populacionais de Macau. Tanto a Cidade Universitária como o Parque Tecnológico necessitam de políticas de apoio para atrair talentos. Durante a sessão foi abordada a possibilidade de se permitir o acesso de não-residentes ao ensino não-superior; e isso merece reflexão. Se os filhos dos talentos que vêm para Macau puderem cá estudar, contribui para que esses profissionais permaneçam de forma mais estável, ajudando ainda a mitigar o impacto da diminuição da natalidade nas escolas. Pode haver um efeito complementar”.
Quando passei também eu a trilhar este caminho, compreendi melhor a vida que o meu pai tinha, e a razão pela qual andava tão ocupado
O diretor dos Serviços de Educação, Kong Chi Meng, respondeu que a entrada de estudantes não-residentes no ensino não-superior requer consenso social e que os departamentos competentes estão a analisar a viabilidade da proposta com uma atitude aberta.
Ponto de viragem

Foi um ano cheio de desafios na vida de Chan Lai Kei: tornou-se pai pela primeira vez, e foi eleito deputado. Licenciado em psicologia aplicada, pela Universidade de Zhongshan – Guangdong – foi membro do Conselho de Juventude. É ainda vice-presidente da Aliança de Povo de Instituição de Macau, e membro do Comité Provincial de Fujian da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Na eleição para a AL, concorreu pela primeira vez, no terceiro lugar da lista da Associação dos Cidadãos Unidos de Macau.
Sobre o seu percurso no serviço comunitário, sublinha a grande influência que teve: o pai, empresário, dedicou-se ao serviço comunitário através das associações de conterrâneos. “Desde pequeno, quase não tinha oportunidade de o ver, talvez apenas duas ou três vezes por mês. Não compreendia bem; apenas sabia que, para além do trabalho, estava sempre envolvido no serviço à comunidade. Só depois de crescer, e após o seu falecimento, comecei a perceber melhor o seu papel, através do meu próprio envolvimento no serviço comunitário. Durante esta campanha eleitoral, muitos cidadãos mais idosos o recordaram: ‘O teu pai também nos ajudou muito, fez muito serviço social.’”
Chan Lai Kei iniciou a sua experiência associativa junto dos jovens da comunidade de Fukien, em Macau, onde conheceu amigos com o mesmo ideal de servir a sociedade. Mais tarde, integrou a Aliança de Povo de Instituição de Macau, prestando apoio em várias frentes. “Quando passei também eu a trilhar este caminho, compreendi melhor a vida que o meu pai tinha, e a razão pela qual andava tão ocupado (…) Quero dar continuidade a esse espírito; e espero dar o exemplo ao meu filho. No futuro, saberá que o pai serviu a sociedade”.
Nascido e criado em Macau, numa família de empresários, Chan Lai Kei estudou no estrangeiro durante o ensino secundário e regressou à China para a universidade. Após a licenciatura, trabalhou na linha da frente do atendimento ao público, depois começou por baixo, na escola fundada pelo pai no continente, que passou a dirigir após o seu falecimento. Como deputado, considera que essa experiência, bem como a participação no Conselho de Juventude, lhe conferem responsabilidade e obrigação de ser a voz dos jovens.
Deixou o trabalho na sua empresa, dedicando-se a tempo inteiro às funções de deputado. Na sua perspetiva, a função do legislador é contribuir “para que a sociedade progrida e os cidadãos sejam mais felizes”; estar em contacto direto com os cidadãos, ouvir as suas preocupações e tratar dos seus casos, funcionando como uma ponte para a discussão das leis.
Quanto à relação entre o Executivo e Legislativo, Chan Lai Kei considera que, embora o princípio seja o da liderança do Executivo, ambos devem colaborar e fiscalizar-se mutuamente. No futuro, espera mais diálogo e interação construtiva na análise e revisão dos projetos de lei. Para o ano, Chan Lai Kei prevê vários projetos de lei e trabalho redobrado. “Para benefício do desenvolvimento social, o bem-estar da população e da economia, avançando no espírito da reforma: simplificar, descentralizar e otimizar. Por isso espero que o processo legislativo possa ser acelerado, para que as leis entrem em vigor o mais rapidamente possível e beneficiem os cidadãos.”