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“Graves infrações” de empresa mineira onde acidente mata pelo menos 82 mineiros

A empresa proprietária da mina de Liushenyu, na província chinesa de Shanxi (centro), onde uma explosão de gás causou 82 mortos na passada semana, cometeu "graves infrações", avançou a imprensa oficial chinesa

Lusa

O acidente, numa exploração situada no distrito de Qinyuan, deixou também dois desaparecidos, que ainda não foram localizados.

A agência de notícias Xinhua apontou várias irregularidades, entre as quais um controlo deficiente do número real de trabalhadores no subsolo, a existência de galerias não declaradas, planos que não correspondiam à situação real da mina e sistemas de vigilância duplicados.

O responsável máximo do distrito de Qinyuan, Guo Xiaofang, afirmou numa conferência de imprensa que, após o acidente, a confusão no local e a falta de clareza da empresa quanto ao número de trabalhadores fizeram com que os primeiros balanços fossem imprecisos.

O painel de entrada da mina indicava que, naquele dia, 124 pessoas tinham descido, mas durante as operações de resgate verificou-se que a lista de trabalhadores que tinham subido à superfície não correspondia à informação fornecida pela empresa, o que levou à descoberta de um número elevado de pessoas que tinham entrado sem cartão de localização.

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Vários mineiros citados pela Xinhua afirmaram que muitos trabalhadores não tinham cartões, apesar de a regulamentação exigir a sua utilização para entrar nas explorações subterrâneas. Um deles afirmou que, no seu turno, quase ninguém tinha o dispositivo e que não lhes era exigido que o utilizassem.

Durante o resgate, as equipas descobriram ainda que as plantas fornecidas pela empresa não correspondiam à realidade e que existiam galerias ocultas não assinaladas.

Segundo o meio de comunicação, o carvão extraído dessas zonas, por vezes exploradas por trabalhadores subcontratados, não era contabilizado na produção nem tributado.

Um especialista não identificado citado pela imprensa local explicou que “algumas minas, para escapar à supervisão, criam dois conjuntos de plantas: um para as inspeções e outro para orientar a produção real”.

A mina, de gestão privada e com uma capacidade anual de 1,2 milhões de toneladas, tinha sido classificada este ano como exploração de tipo B, ou seja, com um nível de segurança “geral”, e constava de uma lista nacional de minas com riscos graves devido a elevados níveis de gás.

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A agência acrescentou que, nos últimos cinco anos, a Liushenyu tinha sido sancionada pelo menos cinco vezes por problemas de segurança.

Os responsáveis da empresa já foram colocados “sob a custódia das autoridades”, enquanto uma equipa do Conselho de Estado investiga as causas do acidente e as responsabilidades da empresa e dos órgãos de supervisão.

As minas de carvão, material com o qual a China gera cerca de 60% da eletricidade, continuam a registar uma elevada taxa de acidentes, embora nos últimos anos o número de acidentes mortais tenha diminuído significativamente.

O setor mineiro chinês registou mais de três mil mortes entre 2018 e 2023, um número que representou uma descida de 53.6% em relação ao quinquénio anterior, de acordo com dados oficiais.

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