O ministro das Energias e Águas de Angola, João Baptista Borges, acredita que é necessária uma mudança no modelo de cooperação entre Angola e a China: “Precisamos de passar de uma lógica de financiamento ‘Estado a Estado’ para uma lógica de investimento direto privado”, disse em conferência de imprensa. “Queremos ver empresas chinesas a investirem diretamente em Angola, criando empregos e desenvolvendo capacidade local”. Segundo o ministro, a solução de financiamento ‘Estado a Estado’ resolveu grandes problemas e permitiu realizar muitas infraestruturas, mas é agora “altura de atrair capital privado”, explicou ao PLATAFORMA.
Angola assinou um memorando de entendimento com a empresa chinesa China Machinery Engineering Corporation (CMEC), durante o Fórum Internacional sobre Investimento e Construção de Infraestruturas, que decorreu em Macau, entre 10 e 12 de junho, para desenvolver infraestruturas de produção, transporte e distribuição de energia e água.
Precisamos de passar de uma lógica de financiamento ‘Estado a Estado’ para uma lógica de investimento direto privado
João Baptista Borges, ministro das Energias
A delegação angolana deslocou-se também a Shenzhen, para assinar um contrato de 110 milhões de dólares (888.8 milhões de patacas) com a Huawei, para instalação de infraestruturas tecnológicas como servidores, redes de fibra ótica e sistemas avançados de atendimento e faturação, com vista a expandir o acesso à eletricidade, especialmente em centros urbanos como Luanda. A Huawei, que já tem presença significativa em Angola, será responsável por fornecer tecnologia e formação de quadros locais.
“Temos de reforçar a nossa capacidade de gestão comercial e de controlo da clientela. E é nesse âmbito que este contrato com a Huawei surge”, afirmou o ministro numa conferência de imprensa durante a sua visita a Macau.
Desenvolver infraestruturas
O Governo moçambicano, também durante o Fórum, assinou um acordo com uma empresa chinesa para a construção de 100.000 habitações sociais em todas as províncias do país, visando reduzir o déficit habitacional. O projeto, uma parceria público-privada, terá um financiamento estimado em mil milhões de dólares (8.08 mil milhões de patacas).
Na mesma cerimónia, foram assinados dois acordos adicionais com o grupo estatal China Road and Bridge Corporation: um para a construção de 78 quilômetros de estrada na província de Inhambane e outro para a construção da estrada de acesso ao porto da Beira, ainda sem valores acertados entre as partes.
Segundo a delegada de Moçambique junto do Secretariado Permanente, Francisca Reino, alguns países de língua portuguesa podem não oferecer garantias para receber ajuda do Fundo Monetário Internacional ou investimento direto do Estado chinês, mais resistente a investir ou a financiar, na atual conjuntura económica. “O que nós queremos não é um apoio, mas acordos de parceria com o setor privado chinês, já que o Estado talvez já não se possa endividar mais”, diz.
O que nós queremos não é um apoio, mas acordos de parceria com o setor privado chinês, já que o Estado [chinês] talvez já não se possa endividar mais`
Francisca Reino, delegada de Moçambique junto do Secretariado Permanente do Fórum Macau
Os acordos alcançados ajudam Moçambique a reforçar as suas parcerias com empresas chinesas com o propósito de desenvolver as suas estruturas críticas base: “A infraestrutura continua a ser um dos calcanhares de Aquiles de Moçambique. Atualmente o país só tem cerca de 20 por cento das suas infraestruturas desenvolvidas”, explica Francisca Reino ao PLATAFORMA.
O ministro das Infraestruturas de Cabo Verde, Victor Coutinho, firmou também um memorando com o grupo Shaanxi Construction Engineering Group Corporation para intercâmbio de tecnologia e recursos, durante o Fórum Internacional sobre Investimento e Construção de Infraestruturas.
Ao todo foram assinados 31 acordos de cooperação no valor total de 10,1 mil milhões de dólares (81.60 mil milhões de patacas) durante o Fórum, envolvendo projetos distribuídos por 22 países e regiões, e abrangendo diversas áreas, como transportes, construção de infraestruturas, eletricidade, conservação de água e energias renováveis.
Segundo o Relatório de Análise do Índice de Desenvolvimento de Infraestruturas dos Países de Língua Portuguesa e dos Resultados de Macau na Participação nos Projectos de Construção Conjunta da Faixa e Rota 2025 – publicado durante o Fórum – registaram-se cinco anos consecutivos de crescimento do índice de desenvolvimento de infraestruturas dos Países de Língua Portuguesa, com o Brasil, Moçambique e Angola ainda a ocupar as três primeiras posições.
Entretanto o índice de popularidade do desenvolvimento de infraestruturas dos Países de Língua Portuguesa aumentou, pelo sexto ano consecutivo, com sectores-chave como transporte e logística, engenharia de energia elétrica e petroquímica, a atrair a atenção de capital internacional. O volume das receitas acumuladas de várias empreitadas concluídas alcançou 140 mil milhões de dólares (1.13 biliões de patacas).