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Mais recursos para a Saúde

Lo Choi In, Aliança de Sustento e Economia de Macau

Numa recente sessão de interpelações orais na Assembleia Legislativa, o Governo respondeu a preocupações sobre as quotas para estágios médicos, afirmando que os números atuais continuam a ser suficientes. No entanto, vários departamentos também observaram que a força de trabalho na área da saúde poderá atingir um ponto de saturação no futuro. Esta previsão abrange profissionais como médicos, enfermeiros, praticantes de medicina tradicional chinesa, técnicos de laboratório, farmacêuticos e terapeutas — num total de 15 profissões médicas cujos graduados poderão enfrentar dificuldades no acesso ao emprego.

Atualmente, os jovens enfrentam desafios na procura de emprego, enquanto a população em geral também relata dificuldades no acesso a cuidados médicos. O sistema público de saúde encontra-se sob considerável pressão. Assim, recomenda-se que o Governo continue a investir e a expandir os recursos destinados aos sectores público e privado de saúde, com o objetivo de atrair mais profissionais de excelência, aumentar as oportunidades de emprego para os jovens, aliviar a pressão sobre o sistema público, reduzir os tempos de espera e, em última instância, ajudar a prevenir tragédias como o suicídio.

O Governo demonstrou visão estratégica na planificação de infraestruturas médicas, especialmente através do aumento do número de centros de saúde comunitários. Há vários anos, a rede de cuidados de saúde primários de Macau foi reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como um “modelo de cuidados primários na Região do Pacífico Ocidental”. Contudo, este reconhecimento não foi acompanhado por melhorias proporcionais noutras áreas da saúde pública. A população continua a enfrentar dificuldades no acesso a cuidados, longos tempos de espera e uma grande pressão sobre os profissionais da linha da frente. Os serviços de urgência dos hospitais públicos permanecem sobrelotados diariamente, e médicos e enfermeiros encontram-se sobrecarregados — especialmente durante surtos de doenças infeciosas.

Com uma população com 65 anos ou mais já superior a 100.000 pessoas — e com tendência a aumentar —, a pressão sobre o sistema de saúde público continuará a intensificar-se. A formação de profissionais de saúde é um processo longo e dispendioso, e a escassez de pessoal é uma preocupação à escala global. De facto, a chamada “saturação” da força de trabalho pode indicar disfunções no sistema. Assim, recomenda-se que, face às amplas reservas fiscais de Macau e à tendência de envelhecimento populacional, sejam atribuídos mais subsídios aos lares de idosos para contratar profissionais de saúde qualificados. Isto não só elevaria os padrões dos cuidados geriátricos, como também ajudaria a aliviar a carga do sistema público de saúde.

De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, em 2023, Macau tinha 2,9 médicos por 1.000 habitantes — um número semelhante ao de regiões vizinhas, mas ainda abaixo da média internacional de 3,7. A taxa de enfermeiros situava-se apenas nos 4,4 por 1.000 habitantes, muito abaixo dos padrões internacionais e inferior à de outras regiões desenvolvidas. No ano passado, uma revista financeira classificou Macau como a segunda região mais rica do mundo, depois do Luxemburgo. No entanto, apesar desta riqueza, persiste uma lacuna significativa na qualidade dos cuidados de saúde. Por exemplo, a proporção de enfermeiros em Macau representa apenas cerca de um terço da verificada no Luxemburgo.

Assim, sugere-se que o Governo planifique a médio e longo prazo, alocando uma parte das suas reservas fiscais e dos rendimentos dos seus investimentos para atrair e reter mais profissionais de saúde. Sempre que as condições orçamentais o permitam, deve ser aumentada a contratação de profissionais como enfermeiros e auxiliares médicos, de forma a melhorar os serviços de saúde e a criar mais oportunidades de emprego para os residentes.
Macau deve garantir uma força de trabalho médica suficiente para proporcionar aos residentes cuidados de saúde de maior qualidade, resolver as dificuldades de acesso aos tratamentos e aliviar a enorme pressão sobre os profissionais de saúde da linha da frente.

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