Os resultados do Inquérito à Saúde Mental de Macau 2024 mostram que o risco para a saúde mental dos jovens é superior ao dos idosos. Comparando o grupo etário entre os 18 e os 24 anos com os inquiridos com mais de 34 anos, a proporção dos casos de depressão -moderada a grave – é superior em 19 por cento. Os problemas de saúde psicológica e mental entre os adolescentes não podem ser ignorados; é preciso ter atenção e prevenir o problema nestas faixas etárias.
Os adolescentes encontram-se numa fase de crescimento crítica nas suas vidas, e os desafios de enfrentam no campo da saúde mental não podem ser ignorados. Sabemos também que, perante o sofrimento emocional, os jovens são de alguma forma relutantes em procurar assistência profissional, nomeadamente junto dos orientadores escolares, o que dificulta a ajuda atempada e eficaz, e faz com que se perca o período ideal de intervenção. Os problemas psicológicos e de saúde mental entre os adolescentes são hoje uma grande preocupação em todo o mundo; podendo até levar ao suicídio, em casos de crises crónicas. Por isso é particularmente importante sensibilizar a sociedade; por um lado, promovendo uma melhor e mais correta compreensão do problema; por outro, ajudando quem necessitada a identificá-lo e pedir ajuda; ou a dar apoiar aos que o rodeiam e estão emocionalmente perturbados.
Nos últimos anos, as autoridades tomaram várias medidas no campo da saúde mental em Macau, incluindo mecanismos de prevenção e controlo, a quatro níveis; e outras medidas que permitem prestar ajuda a quem precisa. No entanto, saliente-se, as causas dos problemas de saúde mental entre os jovens estão geralmente inter-relacionadas, exigindo ao Governo que formule as suas políticas levando em consideração vários fatores, de forma abrangente. As escolas são para isso um o local-chave; é onde os jovens crescem e aprendem; sendo esse o ambiente mais eficaz para que se molde a sua saúde física e mental, com impacto a longo prazo na vida dos jovens.
Por conseguinte, ao formularem as suas estratégias, as autoridades devem adotar uma abordagem multifacetada e construir um quadro de apoio abrangente que inclua as famílias, as escolas e a sociedade em geral. Também é preciso apostar na formação e investir em equipas médicas multidisciplinares capazes de vigiar a saúde mental dos adolescentes; fazer avaliações precoces, e apoiar o tratamento, não só dos adolescentes como também das suas famílias. Além disso, devem considerar a utilização de meios tecnológicos – como a inteligência artificial – para serviços de aconselhamento online personalizados a pessoas com problemas emocionais ou de saúde mental. Mais importante ainda, devem ajudar os jovens a firmar valores positivos para que sejam capazes de enfrentar adversidades, lidando com os desafios em diferentes fases da vida; e as contínuas mudanças na sociedade.
Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau