Muitos residentes de Macau ainda acreditam que uma mudança para Hengqin é imprudente. No entanto, quem se mudou para o Novo Bairro de Macau diz ao nosso jornal que, apesar de algumas inconveniências, a sua qualidade de vida melhorou.
O Novo Bairro de Macau situa-se em Hengqin, sendo composto por 27 torres residenciais, com aproximadamente 4.000 frações habitacionais. À exceção de 200 frações disponibilizadas para talentos, é um empreendimento destinado a residentes de Macau que queiram passar a viver do outro lado do rio.
Chu, de 65 anos, vive no Novo Bairro há quatro meses. O residente diz que em apenas meia hora chega a casa a partir da Praça do Tap Seac, a 19 quilómetros de distância. “Não há habitação suficiente em Macau. Mudei-me para Hengqin com um dos meus filhos e a minha nora. A minha mulher ficou em Macau com o meu outro filho e visitam-nos ocasionalmente.”
Como um dos primeiros residentes de Macau a mudar-se para o Novo Bairro, Chu afirma que estava preparado para ser “pioneiro”, mas realça que é preciso “paciência” na adaptação. Atualmente, há um autocarro gratuito que liga o Novo Bairro ao Posto Fronteiriço de Hengqin, porém, o horário de funcionamento limitado obriga Chu a levar o seu filho ao trabalho todos os dias.
Por outro lado, admite que as instalações comerciais em Hengqin ainda não estão completamente desenvolvidas, e que muitas vezes tem de se deslocar ao mercado de Wanzai, em Zhuhai, onde há maior oferta de produtos.
“Em Macau, é quase impossível encontrar uma unidade que seja espaçosa, com luz e a um preço razoável”
Chu, residente de 65 anos
Sobre o seu novo apartamento, descreve-o como “luxuoso”, elogiando a entidade que gere a propriedade por ser “recetiva às solicitações”. Comparando com a habitação pública em Macau, diz que as diferenças são muito claras: “Em Macau, é quase impossível encontrar uma unidade que seja espaçosa, com luz e a um preço razoável”.
Olhando para os preços em Hengqin, no geral mais elevados, Chu acredita que se deve ao facto dos salários serem mais altos, numa altura em que a Zona de Cooperação desenvolve as suas indústrias de alta tecnologia e serviços. Não obstante, considera que os preços estão dentro do razoável.
Próxima geração

Ng e a sua mulher mudaram-se para Hengqin depois de viverem 45 anos em Macau. O apartamento é menor do que o que tinham em Macau, mas o residente de 73 anos destaca os espaços exteriores. “Ajudar a próxima geração” foi o que motivou a mudança do casal.
“O meu filho quer comprar uma casa, por isso ajudei-o com um pequeno pagamento inicial.” No T3 que tinham perto do Mercado Vermelho viviam três gerações, mas à medida que as necessidades da família mudaram, acabaram por optar pela compra de uma propriedade em Hengqin.
O casal confessa estar mais habituado à conveniência de Macau. “O espaço aqui é grande e a qualidade do ar é boa, mas a conveniência não é tão boa como em Macau. Muitas coisas aqui são mais caras, o que dificulta a adaptação”, diz Ng. Mudaram-se no início de julho deste ano e ainda vêm a Macau frequentemente, pelo facto de Hengqin não corresponder totalmente às expectativas. “Costumamos ir e voltar. Apanhamos um autocarro até à fronteira e depois vamos ao Mercado Vermelho. É um pouco incómodo, mas gere-se.”
Quanto às infraestruturas médicas em Hengqin, Ng diz que são garantidas as necessidades básicas, contudo, para problemas de saúde mais sérios ainda é preciso ir a Macau, obrigando o casal a várias deslocações.
Mesmo assim, Ng considera o ambiente e qualidade de vida em Hengqin e Zhuhai superiores a Macau, nomeadamente, a “segurança e a gestão ambiental” com as “áreas verdes muito bem cuidadas”.
Pagamentos em patacas

O Novo Bairro de Macau foi desenvolvido pela Macau Renovação Urbana, S.A, com a abertura para candidaturas de residência iniciada em novembro de 2023. Pretende-se que o bairro acomode entre 12.000 e 15.000 residentes de Macau. Até ao primeiro semestre deste ano, apenas cerca de 30 por cento de todas as unidades foram vendidas.
No terceiro trimestre deste ano, começaram a operar instalações comunitárias, como o centro de serviços para idosos, escolas e estações de saúde. Instalações comerciais como bancos, lojas de conveniência, entrega de encomendas online e restaurantes vão abrindo aos poucos. Ao que foi possível apurar no local, deve abrir em breve o centro de serviços 24 horas do Governo de Macau.
“O espaço aqui é grande e a qualidade do ar é boa, mas a conveniência não é tão boa como em Macau. Muitas coisas aqui são mais caras, o que dificulta a adaptação”
Ng, residente de 73 anos
Adicionalmente, a Escola de Hengqin Anexa à Escola Hou Kong de Macau abriu oficialmente a 3 de setembro, com um total de 256 alunos matriculados, dos quais 98 por cento são estudantes de Macau que residem no Novo Bairro.
Entretanto, o programa piloto de ‘pagamento em duas moedas’ no Novo Bairro de Macau foi oficialmente lançado, permitindo que os residentes façam pequenos pagamentos em yuan ou patacas.
O Supermercado Wan Li, o primeiro na comunidade, aberto a meio de setembro, permite aos residentes utilizar diretamente a aplicação de pagamento de Macau para fazer compras em patacas, sem necessidade de câmbio.