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Forrobodó na Escola Portuguesa

O início do ano letivo retira à Direção – e à Administração – da Escola Portuguesa o cheque em branco e tempo para se afirmarem. Entalados entre erros próprios, bloqueios políticos e burocráticos, mal-entendidos, resistências corporativas e conflitos internos… perderam a capacidade de transmitir uma mudança positiva e pacífica. É pior do que se temia.

Mais alunos, sem instalações para isso; contratos ilegais a rasurar direitos; professores dispensados, readmitidos, transferidos, afinal reintegrados; disciplinas sem professor; aulas de substituição sem estratégia nem conteúdo; turmas com tamanho inaceitável; testes encavalitados; educação física sem espaços disponíveis; proibição de ir à rua no recreio; cantina – exígua – aberta tardiamente; disciplinas a mais no 12 ano; pais em choque, a pedirem cabeças… e um ambiente crispado, sem espaço negocial. Um verdadeiro forrobodó.

Não é tudo a mesma coisa; nem todos os problemas são de agora, ou têm os mesmos responsáveis; não há soluções fáceis e demagógicas. Mas o diretor, Acácio de Brito, ao vender a ilusão cor-de-rosa – num tom em que só ele sabia da poda – borrou a pintura. Tinha obrigação de antever que o espaço de manobra era curto para tantas falhas. Os argumentos agora não colam, mesmo que alguns sejam ponderados; está tudo tribalizado e a afiar a faca.

E os alunos? Muita coisa está em causa: política, finanças, estratégias, interesses, egos, relações… as guerras são o que são; mas os miúdos não são carne para canhão. É preciso recentrar neles o debate; baixar a tensão e resolver os problemas, com diálogo e bom senso. Assim ninguém tem razão – e todos têm razão de queixa. Não faz sentido; e tudo o que a mudança – necessária – podia ganhar, explode em terreno minado. Ninguém acreditaria que o ano letivo começasse assim. Agora, tudo o que se diga e faça – ou não – são tiros de canhão entre barricadas; com ou sem razão, verdade ou consequência. É preciso fazer reset – e já; os alunos não podem esperar. Haja quem saiba fazê-lo porque, nesta altura, é difícil acreditar.

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