De acordo com dados da consultora Ember, as exportações de produtos solares da China atingiram cerca de 68 gigawatts em março, duplicando face ao mês anterior e estabelecendo um novo recorde histórico.
O crescimento é atribuído sobretudo à procura crescente em regiões de África e da Ásia, particularmente afetadas pelas consequências do bloqueio “de facto” do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás natural, por onde passava cerca de 20% do abastecimento mundial antes do agravamento do conflito.
A escalada dos preços dos combustíveis fósseis tem acelerado o investimento em alternativas energéticas, com especial destaque para a energia solar, sistemas de armazenamento em baterias e veículos elétricos.
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Segundo a Ember, estas tecnologias estão a assumir um papel cada vez mais central na resposta à instabilidade energética global, ao mesmo tempo que permitem reduzir a dependência estrutural dos combustíveis fósseis em mercados altamente expostos à volatilidade dos preços.
Especialistas em energia sublinham que o atual contexto geopolítico está a funcionar como catalisador para a transição energética, acelerando decisões de investimento em países que procuram maior autonomia e segurança no abastecimento energético.
Ainda assim, os analistas alertam que a velocidade da transição varia significativamente entre regiões, dependendo da capacidade de investimento, infraestrutura disponível e estabilidade política, fatores que continuam a marcar a desigualdade no acesso às novas tecnologias energéticas.