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China mantém taxa de juro de referência em 3% pelo 12.º mês consecutivo

O Banco Popular da China (banco central) manteve hoje (20) a taxa de juro de referência em 3% pelo 12.º mês consecutivo, em linha com as previsões dos analistas, que não antecipavam alterações

Lusa - China

Numa atualização mensal publicada no portal oficial, o banco central indicou que a taxa preferencial de empréstimo (LPR, na sigla em inglês) a um ano permanecerá nesse nível pelo menos por mais um mês.

Este indicador, introduzido em 2019, serve de referência para a fixação das taxas de novos créditos (juros aplicados a contratos de empréstimo) – geralmente destinados a empresas – e de empréstimos de taxa variável (créditos onde a taxa de juro e a prestação mensal mudam ao longo do tempo) ainda por liquidar.

O seu cálculo baseia-se nas contribuições de um conjunto de bancos, incluindo instituições de menor dimensão, que tendem a ter custos de financiamento mais elevados e maior exposição a crédito malparado, visando reduzir os custos de endividamento e apoiar a economia real.

O banco central indicou também que a LPR a cinco anos ou mais – referência para crédito à habitação – se manterá em 3.5%, igualmente em linha com as expectativas do mercado.

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A última descida das taxas ocorreu em maio de 2025, quando o Banco Popular da China reduziu a LPR a um ano de 3.1% para 3% e a de cinco anos de 3.6% para 3.5%. Num contexto económico desafiante, a decisão foi então considerada “óbvia” por analistas, que antecipavam novos cortes ao longo de 2025, o que acabou por não se concretizar.

Segundo economistas, o banco central teve margem para reduzir taxas nos últimos meses, sem receio de uma depreciação adicional do yuan, beneficiando das descidas de juros nos Estados Unidos pela Reserva Federal, mas prevaleceram receios de bolhas financeiras (onde o preço de ativo sobe rapidamente a níveis muito superiores ao seu valor real) e de agravamento do excesso de capacidade industrial.

Apesar de especulações recentes sobre um eventual corte, o crescimento económico no primeiro trimestre de 5%, em termos homólogos, e a subida da inflação, impulsionada pelo impacto da guerra no Irão, levaram a autoridade monetária a optar pela manutenção, embora analistas apontem para um possível corte no final do ano.

Entre os fatores que continuam a pesar sobre a recuperação da segunda maior economia do mundo, economistas destacam a incerteza associada às tensões comerciais com os Estados Unidos, a fraca procura interna e externa, riscos de deflação, estímulos considerados insuficientes, a prolongada crise no setor imobiliário e a falta de confiança de consumidores e empresas após os anos da política de “zero covid”.

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