Início » Empresários chineses esperam que visita de Trump alivie tarifas

Empresários chineses esperam que visita de Trump alivie tarifas

Empresários no sul da China esperam que uma eventual visita de Donald Trump ajude a aliviar as tarifas impostas pelos Estados Unidos, numa altura em que a guerra comercial continua a afetar exportações e a reduzir encomendas internacionais

AFP

Trabalhadores suavam enquanto transportavam sacos de roupa, calçado e acessórios para um vasto mercado grossista no sul da China, onde os lojistas esperam que uma próxima visita de Donald Trump possa trazer um alívio nas tarifas que afetam as suas exportações.

As fábricas da província de Guangdong, o coração industrial da China, têm suportado o peso das políticas do Presidente norte-americano e de uma intensa guerra comercial que levou as tarifas dos EUA sobre os seus produtos a atingirem uns impressionantes 145% em muitos casos.

A escalada de retaliações abrandou depois de Trump e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, terem acordado uma trégua de um ano em outubro, mas os fabricantes no movimentado mercado de Guangdong disseram à agência France-Presse (AFP) que as encomendas dos Estados Unidos diminuíram.

“É muito claro, os clientes americanos praticamente desapareceram”, afirmou Zhou Hua, gestor de vendas da empresa de ganga “1988”. Guangdong representou cerca de um quinto do comércio externo da China no ano passado, atingindo um valor recorde de 9,49 biliões de yuan (1,19 biliões de euros), segundo dados das alfândegas chinesas.

Leia também: Um ano de tarifas: como a guerra comercial de Trump mudou a economia global

A Casa Branca anunciou no mês passado que Trump deverá visitar a China a 14 e 15 de maio, depois de adiar uma cimeira anterior devido à guerra contra o Irão. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China ainda não confirmou as datas.

Zhou espera que a visita de Trump leve à redução das tarifas, o que poderá aumentar as encomendas de calças de ganga. Embora as encomendas dos EUA representem apenas cerca de 10% do comércio externo da sua empresa, Zhou afirmou que o país é um centro de “fast fashion” com uma “procura enorme” de vestuário, especialmente ganga.

Por agora, a empresa está a concentrar-se em exportar para outros países e também em vender no mercado interno. “Não podemos colocar todos os ovos no mesmo cesto”, acrescentou.

As tarifas norte-americanas sobre produtos chineses constituem uma complexa rede de taxas e classificações que evoluiu nos últimos anos desde o início da guerra comercial durante o primeiro mandato de Trump. Uma decisão do Supremo Tribunal dos EUA, em Fevereiro, anulou uma parte significativa das tarifas globais introduzidas pelo presidente no ano passado.

Leia também: Trump ameaça impor tarifas de 50% à China caso preste apoio militar a Teerão

Recorrendo a outro enquadramento legal, Trump anunciou rapidamente uma taxa global de 10% com validade de 150 dias, também aplicável a produtos chineses. Uma cimeira de Trump na China ajudaria a “quebrar o gelo” entre Pequim e Washington, afirmou Guo Tao, responsável da empresa 1988. “Com esta guerra de tarifas entre os dois países, todos perdem; não há vencedores”, disse Guo à AFP.

O empresário mostrou-se preocupado não só com as tarifas, mas também com o aumento dos custos das matérias-primas, agravado pelo conflito no Médio Oriente. “Como empresários, procuramos simplesmente uma economia próspera, estabilidade nacional e paz global”, afirmou. “Só num mundo pacífico podemos expandir o comércio para todos os cantos do globo.”

Os corredores estavam cheios de compradores chineses e estrangeiros a negociar preços, enquanto lojistas promoviam produtos em transmissões em direto diante de ecrãs de telemóvel.

Uma vendedora de malas, de apelido Zhuang, disse à AFP que, embora a sua pequena loja não tenha sido diretamente afetada pelas tarifas de Trump, sentiu “claramente” os efeitos indiretos, com consumidores mais cautelosos a reduzirem os gastos.

“Podem querer comprar os nossos produtos, mas acham os preços demasiado elevados e acabam por desistir, porque não são bens essenciais”, afirmou Zhuang, sentada num pequeno banco enquanto organizava os seus artigos. A comerciante disse apoiar as decisões de Xi Jinping caso este opte por manter boas relações com Trump. “Mas em termos de expetativas, na verdade, não há muitas”, acrescentou, classificando Trump como “imprevisível”.

Noutro mercado grossista, fitas brilhantes e bolas espelhadas douradas decoravam o teto da loja de Wen Linpeng, que vende sabonetes coloridos, perfumes e produtos de maquilhagem.

O negócio de Wen não depende do mercado norte-americano, mas o empresário espera que uma visita de Trump promova maior cooperação entre os dois países. A China acolherá Trump, afirmou Wen, se o líder norte-americano demonstrar “sinceridade genuína”.

“Se adotar uma postura hostil – exigindo concessões ou tentando forçar-nos a fazer algo que não queremos – responderemos com firmeza”, disse Wen à AFP. “Mas se estiver disposto a cooperar, teremos todo o gosto em trabalhar com ele.”

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!