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Lacuna legal permite à China aceder aos chips da Nvidia

Mesmo com a proibição dos EUA sobre exportações para a China, empresas chinesas continuam a ter acesso ao poder de processamento dos chips da Nvidia. Tudo, aparentemente, sem incorrer em qualquer ilegalidade

Quem o diz é Derek Aw, empresário que serve precisamente como intermediário para as empresas chinesas, desde que os Estados Unidos proibiram a exportação para a China, em 2022.

O reponsável explica ao Wall Street Journal (WSJ) como Pequim tem contornado as sanções, e continua a ter acesso aos avançados semicondutores, sem ter de fisicamente trazê-los para o país. Pelos vistos, serviços de “cloud” são suficientes para aceder à capacidade de computação destes chips.

Aw encontrou investidores em Dubai e nos Estados Unidos que financiaram a compra de servidores de inteligência artificial que usam os chips H100 da Nvidia. A empresa de Aw carregou mais de 300 servidores com os chips num centro de dados em Brisbane, na Austrália. Três semanas depois, os servidores começaram a processar algoritmos de inteligência artificial para uma empresa em Pequim.

“Há procura. Há lucro. Naturalmente, alguém vai fornecer a oferta”, diz o empresário ao WSJ. Ao contrário do que possa parecer, até agora nada indica que quem vende e compra poder de processamento desta forma esteja, de facto, a incorrer numa ilegalidade.

Não é só Derek Aw que aproveita esta lacuna. Outros orgãos de comunicação reportam que grandes empresas como a Google e a Microsoft também disponibilizam os seus centros de dados – alimentados pelos chips da Nvidia – para prestar serviços às empresas chinesas.

Os Estados Unidos querem controlar a exportações dos chips avançados, bem como outras tecnologias, mas as sanções previstas não impedem as empresas chinesas ou suas subsidiárias no estrangeiro de acederem a serviços de “cloud” norte-americanos que usam chips da Nvidia.

Quem compra e vende esta capacidade de computação consegue fazê-lo com um elevado grau de anonimato, sendo pagas com criptomoedas. “Desde o ano passado que tem havido um aumento significativo do número de clientes chineses na nossa plataforma. Muitas vezes perguntam-me se temos chips da Nvidia”, conta Aw ao jornal.

A Nvidia recusou responder ao WSJ, dizendo apenas que respeita as regras de exportação norte-americanas.

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