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Estudo em Macau comprova eficiência de métodos digitais no tratamento de depressão

Académicos e estudantes de Macau ajudaram a comprovar a eficiência de aplicações móveis no tratamento da depressão. A investigação vai permitir que uma aplicação móvel, desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde, seja aplicada a todos Estados membros da ONU

Nelson Moura

Um estudo recente, que contou com a participação de investigadores e estudantes da Universidade de Macau, demonstrou que o uso de aplicações móveis podem ser eficazes no tratamento e depressão em estudantes chineses.

O estudo, liderado pelo professor de Saúde Pública Global da NYU Shanghai, Brian Hall, e publicado na Translational Psychiatry, foi o primeiro ensaio clínico na China a investigar a eficácia e implementação do Step-by-Step, um aplicação móvel para o tratamento da depressão, desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O estudo incluiu também a colaboração de investigadores do Centro de Estudos de Macau e do Gabinete de Assuntos dos Estudantes da Universidade de Macau. Segundo o mesmo, a depressão é um problema “importante para a saúde mental pública entre os jovens adultos chineses”, com estudos publicados entre 1992 e 2020 a demonstrar uma prevalência da depressão em quase um terço dos estudantes universitários chineses.

O estudo demonstra que a aplicação conseguiu diminuir sintomas de depressão entre os jovens estudantes, com Hall a indicar que o seu uso nos cerca de nove milhões de estudantes universitários chineses traria enormes benefícios

“É importante ressaltar que a depressão está associada à ideação e tentativa de suicídio, o que também é comum entre os jovens adultos chineses”, indica o estudo. “Faltam intervenções baseadas em evidências para abordar eficazmente o fardo da má saúde mental existente nas universidades.”

Além disso, o estigma relacionado com a doença mental é “alto entre os estudantes chineses” e está associado a uma menor probabilidade de procura de ajuda. Tudo isto levou a que este grupo de investigadores decidisse avaliar a eficácia da aplicação Step-by-Step para o tratamento da depressão em estudantes chineses.

O ensaio foi apresentado como um projeto de saúde gratuito apenas para estudantes universitários chineses na Universidade de Macau, de setembro de 2021 a março de 2022. A maioria dos participantes era do sexo feminino, estudantes de licenciatura e da China continental. O ensaio formal foi conduzido durante um ano com um total de 371 participantes inscritos. O processo levou oito semanas a ser concluído, com exames semanais de eficácia. A avaliação pós-tratamento e o acompanhamento foram realizados oito semanas e três meses após as sessões de intervenção, respetivamente.

A aplicação utilizada faz uso de uma história ilustrada de uma pessoa que aprendeu como lidar com stress, ansiedade e depressão para ensinar aos utilizadores estratégias de alteração comportamental e gestão de stress. Os utilizadores do programa também recebem 15 a 20 minutos de orientação por semana, por chamada ou por mensagens, com um funcionário treinado e supervisionado.

Passámos por um rigoroso processo de adaptação cultural [na China], e depois realizámos um ensaio de controlo aleatório para ver se funcionaria para melhorar a saúde mental dos jovens adultos, e o ensaio foi
positivo
Brian Hall, professor de Saúde Pública Global da NYU Shanghai

Antes do lançamento do teste, a equipa de Hall passou vários meses a trabalhar com grupos focais para adaptar o conteúdo do Step-by-Step a um contexto chinês – história, recursos visuais e linguagem.

“Passámos por um rigoroso processo de adaptação cultural [na China], e depois realizámos um ensaio de controlo aleatório para ver se funcionaria para melhorar a saúde mental dos jovens adultos, e o ensaio foi positivo”, diz Brian Hall ao nosso jornal.

Para o antigo investigador da Universidade de Macau, os problemas mais comuns entre os estudantes chineses incluem pressões familiares e sociais, planeamento de carreira, ‘bullying’, ou problemas de relacionamento com os seus pares.

O estudo demonstra que a aplicação conseguiu diminuir sintomas de depressão entre os jovens estudantes, com Hall a indicar que o seu uso nos cerca de nove milhões de estudantes universitários chineses traria enormes benefícios. “Eles gostaram da intervenção, dos conteúdos e deste apoio, e conseguiram ser treinados para fornecer apoio a outros estudantes que também estejam em dificuldades”, destaca o investigador.

Com a aplicação agora a ser considerada como método com fundamento científico, a OMS irá implementar esta intervenção em todos os Estados membros da ONU. O Centro para Equidade Global em Saúde da NYU Shangai planeia também aumentar a escala de uso do Step-by-Step e outras intervenções digitais em mais universidades chinesas, alargando também o número de estudantes alcançados.

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