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Ucrânia: China restringe exportações de ‘drones’ civis de longo alcance

Lusa

A China anunciou, na segunda-feira, restrições à exportação de ‘drones’ civis de longo alcance, citando a guerra da Rússia na Ucrânia e a preocupação de que as aeronaves não tripuladas possam ser convertidas para uso militar.

O Ministério do Comércio disse que o controlo das exportações entrará em vigor na terça-feira, para evitar a utilização de ‘drones’ para “fins não pacíficos”, segundo a agência norte-americana AP.

“Se [os ‘drones’] forem exportados sem autorização, o Ministério do Comércio e outros departamentos relacionados imporão punições de acordo com a lei”, disse o ministério num comunicado também citado pela agência espanhola EFE.

O ministério reconheceu que a tecnologia utilizada nos aparelhos “evoluiu rapidamente” e que aumentou o “risco de os ‘drones’ civis de topo de gama e de elevado desempenho serem reutilizados para fins militares”.

“Enquanto grande produtor e exportador de ‘drones’, a China, com base em avaliações exaustivas, decidiu alargar moderadamente os seus controlos de exportação”, referiu.

As restrições aplicar-se-ão a ‘drones’ que possam voar para além da distância natural de visão dos operadores ou permanecer no ar mais de 30 minutos, que tenham acessórios que possam lançar objetos e que pesem mais de sete quilogramas, segundo o ministério.

“Desde a crise na Ucrânia, algumas empresas chinesas de ‘drones’ civis suspenderam voluntariamente as operações em áreas de conflito”, disse o ministério.

A China tem sido afetada por notícias de que as forças russas e ucranianas poderão estar a utilizar ‘drones’ chineses para reconhecimento e, eventualmente, para ataques.

O Ministério do Comércio chinês acusou os Estados Unidos e os meios de comunicação ocidentais de divulgarem “informações falsas” sobre as exportações chinesas de ‘drones’.

A China é um dos principais criadores e exportadores de ‘drones’.

Antes da invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, os Presidentes chinês, Xi Jinping, e russo, Vladimir Putin, declararam que os dois governos tinham uma “amizade sem limites”.

A China tem afirmado ser neutra no conflito, mas bloqueou os esforços para censurar Moscovo nas Nações Unidas e tem repetido as justificações russas para a invasão do país vizinho.

Num relatório divulgado na semana passada, os serviços secretos norte-americanos citaram dados aduaneiros russos que mostravam que empresas militares estatais chinesas forneceram à Rússia equipamentos de navegação, peças de caças de combate e ‘drones’.

Washington, que tem avisado Pequim de consequências se apoiar o esforço de guerra de Moscovo, não especificou se algum dos negócios citados no relatório poderá desencadear uma retaliação dos Estados Unidos.

Em reação, a China descreveu as relações com Moscovo como uma “cooperação económica e comercial normal” numa declaração divulgada na sexta-feira.

A China “sempre se opôs ao uso de ‘drones’ civis para fins militares”, disse hoje o Ministério do Comércio chinês.

“A expansão moderada do controlo de ‘drones’ pela China desta vez é uma medida importante para demonstrar a responsabilidade de um grande país responsável”, acrescentou.

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