Macau deve preparar-se para descarga de água da central de Fukushima

por Gonçalo Lopes

Um deputado de Macau defendeu hoje que o Governo local deve preparar-se para enfrentar o impacto no território da libertação “extremamente egoísta e irresponsável” da água contaminada da central nuclear japonesa de Fukushima.

“Macau é uma cidade costeira e está intimamente ligada ao mar, e não restam dúvidas de que o despejo das águas residuais nucleares do Japão para o mar vai afetar, a longo prazo, a vida e a saúde da população”, disse o deputado Che Sai Wang numa intervenção na Assembleia Legislativa (AL).

O Governo nipónico afirmou que as águas residuais, atualmente armazenadas em cerca de mil tanques na central de Fukushima, têm de ser removidas para evitar fugas acidentais e para dar lugar à desativação da central devastada pelo sismo e tsunami que desencadearam o acidente nuclear em 11 de março de 2011.

As autoridades garantem que a água tratada, ainda que ligeiramente radioativa, será diluída para níveis mais seguros do que os padrões internacionais e libertada gradualmente no oceano ao longo de décadas, tornando-se inofensiva para as pessoas e para a vida marinha.

Notando que este é um “ato extremamente egoísta e irresponsável”, Che Sai Wang frisou que a decisão nipónica vai afetar “diretamente o ecossistema marinho”, o que “prejudica a sobrevivência dos operadores locais” em vários setores, nomeadamente pesca e aquicultura, podendo ainda “influenciar as variações dos preços do marisco, produtos aquáticos e sal, entre outros”.

“O Governo deve preparar-se, antecipadamente, para enfrentar o impacto nos setores em causa, por forma a evitar uma vaga de encerramentos e uma vaga de desemprego”, disse.

Além disso, frisou o deputado eleito por via direta, o executivo deve estar “mais atento e reforçar o controlo do nível de radiação nuclear na região de Macau” e “armazenar, com antecedência, medicamentos para a prevenção, redução e tratamento da radiação exposta, a fim de prevenir eventuais riscos”.

Che Sai Wang pediu ainda o reforço da fiscalização dos produtos alimentares importados do Japão e o controlo rigoroso do local de produção de artigos de beleza.

Recentemente, também o comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês em Macau, Liu Xianfa, criticou o plano, classificando-o de irresponsável e de violar o direito internacional.

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) apoiou a 04 de julho este projeto, dizendo que as medidas tomadas pelo país asiático estão “de acordo com os padrões de segurança internacional”.

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